Arquidiocese Militar nega missa em homenagem ao Golpe de 64 e ataques a Caetano Veloso

Bispo citou a canção de Caetano Veloso 'É proibido proibir' e teria chamado o autor de imbecil: 'E tem um imbecil que nos anos 70 cantou que é proibido proibir. Gostaria de dar veneno de rato para ele', disse segundo revista

Por O Dia

Paróquia Militar de São Miguel Arcanjo, em Brasília
Paróquia Militar de São Miguel Arcanjo, em Brasília -

Rio - A Arquidiocese Militar do Brasil publicou uma nota nesta segunda-feira para negar a celebração de uma missa no último dia 31 em celebração ao Golpe Militar de 64, na qual o bispo dom José Francisco Falcão teria dirigido ataques ao cantor e compositor Caetano Veloso.  

A nota publicada pela revista Veja diz que a missa foi em celebração ao golpe militar e contou com as presença de três generais e da viúva do coronel Brilhante Ustra, Joseita. Os generais seriam Paulo Chagas, que disputou o governo do Distrito Federal, Rocha Paiva, da Comissão de Anistia, e o deputado federal do PSL general Eliéser Girão (RN).

Durante a homilia, ao tratar de disciplina e hierarquia, o bispo teria dito que até mesmo as liberdades têm suas restrições. Ele citou uma canção de Caetano Veloso, "É proibido proibir" e teria chamado o autor de imbecil. “E tem um imbecil que nos anos 70 cantou que é proibido proibir. Gostaria de dar veneno de rato para ele”, disse segundo a revista.

Em resposta, a Arquidiocese Militar diz que a missa, celebrada na Paróquia Militar de São Miguel Arcanjo e Santo Expedito, em Brasília (DF), foi em ação de graças pelas promoções dos oficiais generais do Exército Brasileiro. A nota reforça que tais promoções ocorrem na referida data desde a década de sessenta do século passado;

A Arquidiocese ressalta que em dia de domingo em Paróquia militar, é natural a presença de militares ou familiares de militares na celebração da Eucaristia. 

Assinado pelo Arcebispo Militar do Brasil, Dom Fernando Guimarães, o texto diz que em nenhum momento do transcurso da Missa falou-se de “ditadura” ou de “golpe” ou se agradeceu a Deus por outro motivo senão pelos novos militares promovidos. "Em nenhum momento do transcurso da Missa fez-se alusão ao nome de qualquer cantor ou compositor", completa. 

Por meio de sua assessoria, Caetano Veloso disse que não irá se pronunciar sobre o assunto. Ele está fora do país cumprindo agenda de show.

No transcurso da homilia, gravada em áudio, a Arquidiocese sustenta que o bispo José Francisco Falcão comentava a passagem bíblica do filho pródigo.  "Aludiu-se ao correto significado de 'liberdade', que comporta um conjunto de restrições, portanto de proibições; de fato, dos dez mandamentos da Lei de Deus, seis são proibições. Daí que, na visão cristã, não se pode falar de “liberdade” e, ao mesmo tempo, de “proibição à proibição”, finaliza.

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