Bolsonaro recebe críticas por defender trabalho infantil e diz que está sendo 'atacado' pela 'esquerda'

Após afirmar que trabalhar 'duro' a partir de oito anos de idade 'não atrapalha a vida de ninguém', presidente recebe críticas e alega ser perseguido pela esquerda

Por O Dia

Bolsonaro defende o trabalho infantil, mas não propõe descriminalização para não ser 'massacrado'
Bolsonaro defende o trabalho infantil, mas não propõe descriminalização para não ser 'massacrado' -
Rio - O presidente da República, Jair Bolsonaro, alegou estar sofrendo "ataque" da "esquerda" após receber críticas por defender o trabalho infantil, em sua transmissão ao vivo na última quinta-feira.
Durante a transmissão, Bolsonaro disse que trabalhar "não prejudica em nada" a vida de uma criança de "9, 10 anos de idade". "Eu, com 9, 10 anos de idade, quebrava milho na plantação e, quatro ou cinco dias depois, com sol, você ia colher o milho. Olha só, trabalhando com 9, 10 anos de idade, na fazenda, não fui prejudicado em nada", afirmou ele.
O presidente ainda fez uma comparação com o uso de drogas pesadas: "Quando um moleque de 9 ou 10 anos vai trabalhar em algum lugar, tá cheio de gente aí: 'trabalho escravo, não sei o quê, trabalho infantil...'. Agora, quando tá fumando um paralelepípedo de crack, ninguém fala nada. Então, o trabalho não atrapalha a vida de ninguém", acrescentou. 
Em seguida, o presidente negou qualquer iniciativa para regulamentar o trabalho infantil, que é proibido no país. "Fique tranquilo que eu não vou apresentar nenhum projeto aqui para descriminalizar o trabalho infantil, porque eu seria massacrado, mas quero dizer que eu, meu irmão mais velho, uma irmã minha também, um pouco mais nova, com essa idade, 8, 9, 10, 12 anos de idade, trabalhávamos na fazenda, trabalho duro".
Bolsonaro recebeu duras críticas nas redes por suas declarações. Nesta sexta-feira, ele se declarou vítima de "ataques" da "esquerda" e defendeu que estava apenas defendendo "que nossos filhos sejam educados para desenvolver a cultura do trabalho desde cedo". Ele voltou a comparar a situação com o uso de drogas.

Comentários