Glenn Greenwald diz que não vai entregar material às autoridades

Na CCJ do Senado, jornalista disse que entregar a fonte só aconteceria em países autoritários. Ele diz que continuará publicando reportagens sobre o vazamento de conversas entre procuradores e o juiz Sergio Moro no âmbito da Lava Jato

Por O Dia

Glenn Greenwald foi ao Senado
Glenn Greenwald foi ao Senado -
Brasília - O jornalista e editor do 'Intercept Brasil' disse que o site não vai entregar o material recebido de uma fonte anônima à polícia ou à Justiça. Para Glenn Greenwald, entregar a fonte ao Estado só aconteceria em países autoritários e não em Democracias. "O que nós fizemos, como profissionais, nós verificamos com muita cautela que o material é totalmente autêntico", acrescentou.
Glenn Greenwald participa de audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal para falar dos vazamentos de conversas de procuradores da Força-Tarefa da Lava Jato com o juiz Sergio Moro. Reportagens já foram publicadas no Intercept, na Rádio Band News, na Revista Veja e no jornal Folha de S. Paulo desde o dia 9 de junho. As conversas privadas revelam que, segundo Greenwald, Moro e procuradores, principalmente Deltan Dallagnol, combinando estratégias de investigação e de comunicação com a imprensa no âmbito da Operação Lava Jato. 
O jornalista classificou como atentado à liberdade de imprensa as notícias de que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, estaria, por meio da Polícia Federal, investigando a sua vida e de outros profissionais do site. Greenwald disse que não tem medo e que continuará publicando novos vazamentos.

"Há notícias de que ele está investigando e ele nunca negou. Isso mostra a mentalidade do ministro. Ele quer que fiquemos com medo e apreensão. Não temos medo nenhum. Continuamos publicando depois disso. Vamos continuar publicando", disse.

Greenwald foi convidado pela CCJ, a pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), para falar sobre os vazamentos de conversas entre o ex-juiz e atual ministro Moro, o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato, e outros procuradores, pelo aplicativo Telegram.

O jornalista contou que recebeu as informações de uma fonte que não quer ser revelada e ressaltou que a Constituição Federal e o Código de Ética dos Jornalistas garantem o sigilo.

"Eu li a Constituição brasileira que protege e garante exatamente o que estamos fazendo e confio muito nas instituições brasileiras para aplicar e proteger esses direitos. O clima que o ministro está tentando criar é de uma ameaça à imprensa livre", disse.

Glenn, que é também advogado formado nos Estados Unidos, disse ter ficado chocado ao ler o material pela primeira vez.

"Eu tinha nas minhas mãos a evidência mostrando que o tempo todo Sergio Moro estava não só colaborando com os procuradores, mas mandando na força-tarefa da Lava Jato", relatou.

Em sua exposição inicial, o jornalista também lamentou a baixa presença de senadores, em especial do partido do governo, que, segundo ele, o atacam virtualmente mas não compareceram para debater.

"Eu gostaria muito de discutir frente a frente essas acusações falsas que eles estão espalhando quando não estou presente e esta é uma oportunidade para discutir essas acusações na minha cara, para examinar se elas são falsas ou verdadeiras, mas infelizmente eles não estão aqui para fazer isso", apontou.

O jornalista americano reforçou ainda que não está à serviço de nenhum partido ou político:

"Eu sou jornalista, não sou político. Não tenho fidelidade com qualquer partido. Publicamos artigos criticando partido de direita e de esquerda, inclusive o do meu marido (David Miranda, do Psol-RJ). Somos independentes. Estamos defendendo os princípios cruciais e fundamentais para uma democracia: a imprensa livre — reforçou.

Vencedor do prêmio Pulitzer por ter revelado, em 2013, um sistema de espionagem em massa dos EUA com base em dados vazados por Edward Snowden, Glenn Greenwald, destacou que à época sua credibilidade não foi posta em xeque.

"Pelo contrário, vim ao Senado e todo mundo nos parabenizou porque todo mundo aqui no Brasil conseguiu perceber porque essa reportagem era tão importante. Ninguém ameaçou a gente naquela época, e que deveríamos ser investigados ou presos. Pelo contrário, fomos premiados", destacou.

* Com Agência Senado

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