Família de presa por racismo diz que ela tem problemas mentais e já tentou suicídio

Doença de Natália, segundo os parentes, altera o comportamento dela, produzindo uma neurose e 'mania de perseguição'

Por iG

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que a advogada é presa e autuada por injúria racial
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que a advogada é presa e autuada por injúria racial -

Belo Horizonte - Uma nota assinada pelos irmãos da advogada Natália Burza, de 36 anos, que foi presa por injúria racial contra um taxista em Belo Horizonte, pediu desculpas e compaixão pelo ocorrido na quinta-feira.

No relato, os parentes de Natália afirmam que ela sofre de transtornos psíquicos e contam que a situação “doeu em todos”. Eles dizem, ainda, que Natália já tentou suicídio e já agrediu de forma física e moral muitos familiares. “Independentemente da cor, orientação sexual, crença e etc”.

A doença de Natália, segundo os parentes, altera o comportamento dela, produzindo uma neurose e “mania de perseguição”. Ao fim da nota, os familiares pediram compaixão, abrindo espaço para refletir sobre transtornos psíquicos e também sobre racismo.

Natália foi presa após o ato de racismo, mas liberada da cadeia após pagar R$ 10 mil em fiança. O processo corre em segredo de justiça.

Confira, abaixo, nota completa da família:

“Precisamos falar sobre isso.

Sentimos muito pelo que aconteceu com o Sr. Luís Carlos Alves Fernandes e com todos os envolvidos. Pedimos sinceras desculpas àqueles que sofrem preconceito diariamente em nosso país. Podem ter certeza, doeu em todos nós.

Racismo é uma realidade brutal e inaceitável.

Mas quero informar algo que ainda não foi publicado. A Natália é uma pessoa com transtornos psíquicos. Atestada há anos por profissionais da saúde. Sabemos que alegar doença mental no nosso país é algo que foi banalizado. Não é esse o caso.

Nossa irmã já tentou suicídio por diversas vezes, já agrediu de forma física e moral muitas pessoas, inclusive sua própria família que é quem a protege e a ama (independentemente da cor, orientação sexual, crença etc). Já foi internada, já recebeu eletroconvulsoterapia. Nas últimas semanas, tentávamos uma vaga em um hospital psiquiátrico, mas infelizmente, não conseguimos. Essa também é outra realidade inaceitável.

Para quem não conhece a doença, ela altera o comportamento e produz uma neurose e mania de perseguição, além de causar um comportamento agressivo e imprevisível. Só quem tem alguém próximo com essa doença pode entender a dor que passamos há anos e estamos passando agora. Pedimos compaixão.

Precisamos falar sobre racismo. Também precisamos falar sobre transtornos psíquicos que atingem de forma universal milhões de pessoas.

Assinam esta nota os irmãos.”

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