Vereador do DEM faz ofensa antissemita durante discussão na Câmara Municipal de SP

Adilson Amadeu chamou parlamentar do PSDB de 'judeuzinho filho da p...'

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Vereador Adilson Amadeu (DEM-SP)
Vereador Adilson Amadeu (DEM-SP) -
São Paulo - O vereador Daniel Annenberg (PSDB) decidiu fazer uma representação na Corregedoria Câmara Municipal de São Paulo e deve registrar um boletim de ocorrência contra o colega Adilson Amadeu (DEM), que na sessão da última quarta-feira, no plenário da Câmara, o chamou de "judeuzinho filho da p..." enquanto os parlamentares decidiam se colocavam ou não em votação um projeto de lei de Amadeu.

Annenberg, ex-secretário de Inovação e Tecnologia da gestão Bruno Covas (PSDB) e ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), diz que já havia sido alvo de críticas por parte de Amadeu, que é despachante e tem seu reduto eleitoral entre os taxistas. Amadeu queria colocar em votação projeto que impõe uma série de restrições a motoristas de aplicativos, como Uber e 99.

"Vou representar contra ele tanto dentro da Câmara quanto fora. Estou vendo quais as medidas, se uma (queixa) de injúria, queixa-crime. Inclusive junto com a comunidade (judaica)", disse Annenberg.

"É um absurdo a gente estar numa casa dessa discutindo projetos, propostas, e ser agredido dessa forma", afirmou o vereador. "Além de xingar, ele quis partir para cima, bater em mim."

Já Amadeu se pronunciou por nota, em um pedido de desculpas "à comunidade judaica", mas não a Annenberg.

"Em uma sessão tensa que já durava quase oito horas, e após costurado um acordo na Casa para que fossem votados projetos de vereadores, eu tive divergências com o colega parlamentar por conta de um projeto de minha autoria, no qual trabalhei muito o ano todo para ser aprovado", diz o texto.

"No calor da discussão, algo tão comum em votações polêmicas em plenário, eu realmente me excedi e, caso alguém tenha se sentido ofendido e ainda que não tenha sido uma fala generalizada, quero pedir minhas sinceras desculpas à comunidade judaica", continua

"Aproveito este esclarecimento para deixar claro que, em nenhum momento, houve um ataque à cultura ou tradição judaicas, a quem sempre fiz questão de respeitar", argumenta Adilson Amadeu.

Ofensas de teor racial não são novidade nesta legislatura da Câmara Municipal. Em setembro, o vereador Camilo Cristófaro (PSB) chamou o colega Fernando Holiday (DEM), do Movimento Brasil Livre (MBL), de "macaco de auditório". Holiday, que é negro, disse ter sido alvo de racismo.

Em nenhum caso, porém, a Corregedoria da Câmara decidiu levar a plenário alguma punição. A reportagem tenta contato com o vereador Souza Santos (Republicanos), corregedor da Casa, para comentar o caso.
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