Perícia da barragem de Brumadinho deve ser concluída só no fim do semestre

Perícia está sendo realizada em parceria com universidades da Europa

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Rompimento de barragem da Vale em Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro, deixando mais de 250 mortos
Rompimento de barragem da Vale em Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro, deixando mais de 250 mortos -
Minas Gerais - A principal perícia necessária à Polícia Federal para que aponte criminalmente possíveis culpados pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, a que indicará os motivos que levaram à liquefação da estrutura, está sendo realizada em parceria com universidades da Europa e só deve ficar pronta em meados de 2020. A corporação vai voltar a ouvir executivos da mineradora em fevereiro.

A perícia é fundamental, conforme informou nesta quinta-feira, 16, o delegado responsável pelas investigações, Luís Augusto Pessoa Nogueira, para determinar se poderá haver indiciamentos por homicídio doloso, quando há a intenção de matar, ou culposo. O rompimento da barragem completa um ano no próximo dia 25. Até agora, foram confirmadas 259 mortes, além do desaparecimento de 11 pessoas.

O delegado afirmou que a decisão foi procurar por universidades europeias, de Barcelona, na Espanha, e do Porto, em Portugal. Nogueira disse que os equipamentos da PF para realização da perícia não seriam suficientes para o serviço. O início dos trabalhos em conjunto com as instituições europeias ocorreu em dezembro.

"Nossa perícia não se sentiu habilitada. Prefiro fazer algo que não tenha o resultado questionado", explicou o delegado.

Explosões realizadas perto da barragem ao longo do tempo podem ter provocado o colapso da estrutura, segundo o delegado, minando, aos poucos, o complexo. Conforme Nogueira, explosões realizadas no dia não foram responsáveis pelo rompimento. Podem ter contribuído abalos sísmicos, também ao longo do tempo.

Apesar da necessidade da perícia, o delegado afirmou que as investigações em relação a "alvos" mais importantes estão avançadas. Um executivo da empresa alemã Tüv Süd, organização de consultoria que atestou a estabilidade da barragem, negou-se a vir ao Brasil. A PF estuda maneira de tomar o depoimento do executivo que, conforme as investigações, teve participação fundamental na decisão da empresa em emitir o laudo pela estabilidade.

Em setembro, a PF concluiu as investigações em relação a crimes de falsidade ideológica e produção de documentos falsos. Foi feito o indiciamento de sete funcionários da Vale e seis da Tüv Süd.

Os crimes foram cometidos, conforme as investigações, em junho e por duas vezes, em setembro de 2018, durante envio de documentos a autoridades da Agência Nacional de Produção Mineral (DNPM) e da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam).
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