Presidente do Senado, Davi AlcolumbreDivulgação
Por O Dia
Publicado 24/03/2020 22:10 | Atualizado 25/03/2020 02:11
Após o pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), na noite desta terça-feira, em cadeia nacional, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), divulgou uma nota classificando como "grave" a declaração do chefe do Executivo Federal diante da pandemia do coronavírus. Em tom crítico, o parlamentar disse que o país precisa de uma liderança séria. 
O presidente pediu a "volta à normalidade" em meio à pandemia e o fim do confinamento em massa, contrariando recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). "Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa", declarou Bolsonaro.
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"Neste momento grave, o país precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população. Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República hoje, em cadeia nacional, de ataque às medidas de contenção ao Covid-19", disse Alcolumbre por meio da nota.

Além disso, o presidente do Senado acrescentou que, agora, não é momento de ataque à imprensa e a governadores. "A nação espera do líder do Executivo, mais do que nunca, transparência, seriedade e responsabilidade. O Congresso continuará atuante e atento para colaborar no que for necessário para a superação desta crise".
Também em seu pronunciamento, Bolsonaro questionou a decisão dos entes federativos em fechar colégios. "Noventa por cento de nós não teremos qualquer manifestação caso se contamine. Devemos, sim, é ter extrema preocupação em não transmitir o vírus para outro", disse o presidente.
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Em outro momento, Bolsonaro também disse que, se for contaminado, não tem motivos para se preocupar devido ao seu histórico de atleta: "O meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha, ou resfriadinho, como disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão". 
Elogio: "na contramão da histeria"
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Por sua vez, o líder do governo na Câmara Federal, Major Vitor Hugo (PSL-GO), elogiou as falas do presidente, classificando o discurso como excelente. "A sua visão de estadista e a sua coragem em ir na contramão da histeria coletiva, construída sem critérios racionais, vão salvar as vidas de milhões de brasileiros", opinou.
Repercussão
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Ao jornal Folha de S. Paulo, a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado, Simone Tebet (MDB-MS), disse: "Adianta comentar?".
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), declarou, em seu Twitter, que o pronunciamento "mostra que há poucas esperanças de que Bolsonaro possa exercer com responsabilidade e eficiência a Presidência da República". "Os danos são imprevisíveis e gravíssimos", disse.
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Dino acrescentou: "Em respeito às vidas dos maranhenses, bem como em sintonia com cientistas e profissionais da saúde, manterei no Maranhão todas as providências preventivas e de cuidado em face do Coronavírus".
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da minoria no Senado, afirmou que o presidente usou a cadeia nacional "para espalhar mentiras": "Ataca todo mundo, questiona o isolamento social, vem com uma tese maluca de que a Itália tem um clima mais frio. Vai passar para a história como a primeira vez em que um chefe de Estado usou a cadeia de rádio e TV para espalhar mentiras, mentiras que podem levar as pessoas à morte".