Presidente Jair Bolsonaro ameaçou repórter após pergunta sobre Queiroz: 'Vontade de encher sua boca de porrada' - Marcos Corrêa/PR
Presidente Jair Bolsonaro ameaçou repórter após pergunta sobre Queiroz: 'Vontade de encher sua boca de porrada'Marcos Corrêa/PR
Por ESTADÃO CONTEÚDO
Brasília - Após reunião ministerial nesta terça-feira, o presidente da República, Jair Bolsonaro, voltou a criticar a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao dizer que a entidade internacional "parece mais um partido político". Ele disse que, após a pandemia, o Brasil deve avaliar a permanência na organização, composta por 194 Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU).

Bolsonaro falou sobre o tema ao ser questionado por jornalistas, na saída do Palácio da Alvorada, sobre o fato de que não há comprovação sobre o nível de transmissão do vírus por pessoas assintomáticas.

Na segunda-feira (8), a diretora técnica da entidade, Maria Van Kerkhove, disse que a transmissão por pacientes sem sintomas era "muito rara", e o presidente usou a fala para defender a flexibilização da quarentena nesta terça. No entanto, a organização fez uma retificação e afirmou que a transmissão da covid-19 está, sim, ocorrendo a partir de casos assintomáticos da doença, mas ainda não há conclusões sobre a proporção.

"Temos de ser realistas, nós sabemos que não tem comprovação de nada. Até a hidroxicloroquina não tem comprovação. A OMS voltou atrás, desaconselhou estudos e depois recuou. OMS é uma organização que está titubeando, parece mais um partido político", disse o presidente.

Segundo ele, o Brasil vai pensar, depois da pandemia, se continua como integrante da entidade. "O Brasil vai pensar nisso depois que acabar a pandemia, a gente vai pensar seriamente se sai ou não, porque não transmite confiabilidade. Muita gente perdeu a vida porque ficou em casa, muita gente sente dor no peito e não foi para o hospital por medo do vírus e acabou enfartando e morrendo."

Diante dos milhares de mortos pela pandemia no mundo todo, Bolsonaro afirmou, sem apresentar evidências, que esses óbitos não ocorreram por falta de respiradores e leitos de UTI, e sim pela falta de remédios com comprovação científica, citando como exemplo a hidroxicloroquina.

"Muitos faleceram porque pode ser que lá na frente pode se comprovar, por falta da hidroxicloroquina. Mudamos (o protocolo) para que a hidroxicloroquina pudesse ser utilizado a partir dos primeiros sintomas. Obviamente tem de ouvir o médico. Quem não quiser usar, não use", declarou o presidente da República.