Brasil cria tecido contra a covid

Pesquisadores do Senai-Cetiqt e da Fiocruz afirmam que produto inativa o vírus em até um minuto

Por Maria Clara Matturo*

Bio-Manguinhos, Senai e outros parceiros desenvolvem tecido que neutraliza vários tipos de vírus, entre eles o novo coronavírus, que causa a covid-19
Bio-Manguinhos, Senai e outros parceiros desenvolvem tecido que neutraliza vários tipos de vírus, entre eles o novo coronavírus, que causa a covid-19 -

Pesquisadores brasileiros produziram um tecido capaz de inativar o novo coronavírus. Os testes preliminares, feitos no último mês, apontaram que o produto têxtil desenvolvido consegue neutralizar mais de 99,9% das partículas virais do vírus em até um minuto. Além disso, foi comprovada a eficácia no combate a outras doenças virais, como sarampo e caxumba. A expectativa é que sejam produzidos, por mês, 600 mil itens de proteção com o material antiviral. A descoberta, fruto de uma parceria entre o Senai-Cetiqt; a Bio-Manguinhos, da Fiocruz; e a empresa têxtil Diklatex, poderá ser usada não só para vestuário, mas também em outras funções, como cortinas e forro de estofados de locais públicos, por exemplo ônibus e cinema.

O pesquisador do laboratório de fibras do Senai-Cetiqt, Raphael Bergamini, afirmou que o tecido tem grande potencial de funcionamento em situações de exposição à doença: "Por ter essa inativação tão rápida do vírus, as chances de contaminação da doença caem muito. Se um médico que tem contato com pacientes contaminados manuseia a máscara e coça os olhos, por exemplo, o vírus já teria sido neutralizado, porque essa estrutura funciona não só como uma barreira física, mas química, também".

Além da produção de máscaras, aventais e scrubs para profissionais da Saúde, o tecido representa uma mudança de cenário. "Uma vez que o protocolo de produção é homologado e está testado, ele condiciona a indústria têxtil, não só da parte fashion, mas também a logística. Provadores de loja, cortinas de teatro, assentos de avião... Se nós aplicarmos esse químico, dá uma proteção e tranquilidade maior para as pessoas que estão frequentando o ambiente. Tirando a parte hospitalar, a gente vislumbra outros mercados e toda uma mudança de cenário", explicou o coordenador da plataforma de fibras do Instituto de Inovação Senai, Adriano Passos.

Por ser um material com bom custo-benefício, o acesso pode ser mais fácil. Raphael Bergamini ressaltou a importância dessa facilitação: "A produção é da Diklatex. Nós os auxiliamos nesse projeto de aplicação química e na estruturação, e eles já estão produzindo. O preço é acessível, muito mais do que a prata utilizada em outros tecidos. E nós vamos doar uma produção-piloto que fizemos para hospitais. Com esse químico, queremos reduzir o número de infecções. O projeto contempla a doação dessas máscaras e aventais. É tudo muito novo, então ainda estamos decidindo para onde doar".

Apesar de ser uma grande descoberta, as pesquisas ainda não acabaram: "Esse projeto tem várias etapas, conseguimos alcançar a validação da metodologia e, com o mapeamento, encontramos um produto químico com preço acessível, que protege o ser humano e o meio ambiente. Agora, estamos numa fase de avaliar quantas lavagens esse tecido resiste, sendo um neutralizador. Estamos trabalhando nisso e aplicando em superfícies, segmentos, verificando a eficácia em relação aos vírus. É um trabalho muito intenso", concluiu Adriano.

 

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