Comenda da Ordem do Mérito Bombeiro Militar do Distrito Federal Imperador Dom Pedro II foi entregue em solenidade no auditório José Nilton, na sede da corporação, em Brasília - Divulgação
Comenda da Ordem do Mérito Bombeiro Militar do Distrito Federal Imperador Dom Pedro II foi entregue em solenidade no auditório José Nilton, na sede da corporação, em BrasíliaDivulgação
Por iG
Rio - Depois da saída de Abraham Weintraub do Ministério da Educação (MEC), Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, passou a ser o principal alvo de críticos do governo de Jair Bolsonaro.
Dentre as principais situações associadas ao ministro, estão a fala sobre “passar a boiada” - dita em reunião ministerial em 22 de abril deste ano -, a suposta omissão de dados sobre crimes ambientais e a interferência em órgãos de fiscalização como o Ibama.
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As crescentes polêmicas envolvendo Ricardo Salles tendem a enfraquecer o governo Bolsonaro e desgastar ainda mais a chamada “ala ideológica”. Mas afinal, o que é essa ala e como ela vem sofrendo esse desgaste?
O que é?
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De acordo com a pesquisadora e professora Jacqueline Quaresemin, a ala ideológica é um grupo que integra o alto escalão do governo Bolsonaro.
Formado por aliados de Jair Bolsonaro, filhos do presidente, políticos e “gurus”, o grupo tem como principal característica “negação da história, da ciência e da realidade, entre outras questões complexas que a humanidade conseguiu evoluir (direitos civis e humanos, paz, democracia etc.)”, afirma a professora.
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Ela explica, ainda, que o fenômeno não é exclusivo do Brasil, mas que os estragos aqui são “consideráveis”. “Tal negacionismo histórico não é um fenômeno brasileiro, mas aqui está fazendo estragos consideráveis porque sacraliza alguns “conceitos” e ali “rezam” todo dia, disseminando-os via redes digitais. É o caso na nominação “comunistas” a quaisquer críticas ao governo para ocultar sua face antidemocráticas”, diz Jacqueline.
Desgaste
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O desgaste da ala ideológica acelerou durante a pandemia de covid-19, uma vez que o governo não seguiu os protocolos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e confundiu a população sobre a gravidade da situação. Além disso, segundo Jacqueline, outras situações colaboram para o desgaste do grupo.
Dentre eles, de acordo com a professora, estão “a interferência familiar, o excessivo número de militares no governo, os constantes ataques às instituições democráticas e imprensa etc., e, principalmente, o desmonte de políticas públicas inclusivas”, as quais Jacqueline classifica como “importantíssimas” para o Brasil.
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“Além de ter um governo tutelado por militares, com redução da participação civil e consequências imprevisíveis para políticas em áreas importantes como Educação e Cultura”, continua a pesquisadora.
Relação com Centrão
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Além da ala ideológica, dois outros grupos se relacionam com o governo de Jair Bolsonaro: a ala militar e o chamado “centrão”. O último começou a ganhar mais notoriedade recentemente, quando passou a negociar cargos com o presidente em troca de uma base de apoio no Congresso.
Com essa aproximação, começou a especular-se que a ala ideológica perderia força dentro do governo. Entretanto, Jacqueline diz acreditar que isso não acontecerá, uma vez que seus membros apoiam incondicionalmente enquanto que os membros do centrão querem “ampliar a participação nas esferas de poder e cargos federais” e permanecerão fiéis enquanto forem beneficiados.
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“Não há substituição porque a 'ala ideológica' dá apoio incondicional e se articula de um campo político mais conservador até a extrema direita. O Centrão tem espectro político mais amplo embora também envolva a direita, e será fiel enquanto se beneficiar de cargos, poder e emendas parlamentares.”, afirma a professora.
Mudança de postura e futuro de Salles
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Alguns segmentos econômicos que apoiaram Bolsonaro estão percebendo o impacto das decisões na imagem do país no exterior, que está “deteriorando investimentos e exportações”. Algumas das decisões que afetam a área econômica estão ligadas ao Meio Ambiente, comandado por Ricardo Salles.
Ao comentar essas decisões e a relação delas com o desgaste da ala, Jacqueline diz que a “preocupação com a questão ambiental” está cada vez maior entre as empresas e investidores.
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Ou seja, a linha de ação atual do Ministério do Meio Ambiente pode levar a um afastamento ainda maior de investidores, o que resultaria em menos apoio no Brasil, desgastando ainda mais Salles e a ala ideológica.
Entretanto, Jacqueline diz que não é possível afirmar que o ministro deixará no governo, mesmo enfrentando tantos problemas.
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Na noite da última quinta-feira (16), Bolsonaro disse que irá manter Salles à frente do ministério e minimizou o desmatamento e as críticas ao trabalho do ministro, atribuindo-as à uma "guerra de informação". Entretanto, segundo a TV Globo, o governo estaria analisando a situação do ministro por conta da supracitada imagem desgastada.