Jair Bolsonaro - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Jair BolsonaroMarcelo Camargo/Agência Brasil
Por ESTADÃO CONTEÚDO
Brasília - Pressionado por críticas ao enfrentamento da pandemia da covid-19 e alvo de novos pedidos de impeachment, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça que não se pode considerá-lo um "excelente presidente". Declarou, no entanto, estar "cumprindo uma missão".
"Não vou dizer que eu sou um excelente presidente. Mas tem muita gente querendo voltar o que eram os anteriores. Já reparou? É impressionante. Estão com uma saudade de uma...", afirmou Bolsonaro para apoiadores, sem concluir a frase.
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A crise em Manaus, com falta de oxigênio em hospitais, motivou partidos de oposição a apresentarem mais um pedido de impeachment contra Bolsonaro. Rede, PSB, PT, PCdoB e PDT pedem que o presidente seja responsabilizado política e criminalmente pela situação no Amazonas e por sua conduta de desacreditar medidas de proteção durante a pandemia. Esse pedido se soma a outros cerca de 60 entregues à Câmara dos Deputados desde o início do mandato do chefe do Executivo.
Nesta segunda (18), após declarar que as Forças Armadas são as responsáveis por definir se um país terá democracia ou ditadura, Bolsonaro foi novamente criticado e a fala repercutiu mal no Congresso Nacional.
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Na ocasião, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, minimizou a declaração. "O presidente já tocou nesse assunto várias vezes e, é óbvio, se tiver Forças Armadas indisciplinadas ou comprometidas com projetos ideológicos, a democracia fica comprometida", afirmou o vice durante conversa com jornalistas na chegada ao Palácio do Planalto, pela manhã. "Não é o caso do Brasil, mas nós temos nosso vizinho, a Venezuela, que vive uma situação dessas".
Não foi a primeira vez que Bolsonaro vinculou a democracia à vontade dos militares, mas, nos últimos tempos, ele subiu o tom dessa narrativa. A ameaça vai na contramão da Constituição. Pela Carta de 1988, as Forças Armadas estão subordinadas ao poder civil e não têm autonomia para decidir os rumos políticos do País.
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"O presidente flerta com o acirramento na relação com as instituições, o que é grave. É uma frase recorrente, muito próxima de desrespeitar a Constituição. Agora volta, no meio da pandemia, num sinal de desespero em relação à completa falta de gestão do seu governo e do seu Ministério da Saúde", disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-SP).