Visita ao Instituto Butantan. São Paulo (SP), 23/04/2018. Foto: Rodrigo Nunes/MS - Rodrigo Nunes / MS
Visita ao Instituto Butantan. São Paulo (SP), 23/04/2018. Foto: Rodrigo Nunes/MSRodrigo Nunes / MS
Por Marina Cardoso
São Paulo - O Instituto Butantan prevê que a produção da CoronaVac pelo Instituto Butantan vá deixar de depender de insumos da China, a partir de outubro deste ano. A expectativa de matéria-prima produzida no Brasil vem da construção de uma nova fábrica do instituto.
A nova fábrica começou a ser construída no dia 2 de novembro do ano passado, após o governo de SP abrir um funcionamento coletivo. Na iniciativa, a verba veio da doação de 23 empresas que arrecadaram em 42 dias o montante total para o novo do projeto do Butantan, sem contrapartidas. 
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A previsão é de que a fábrica fique pronta no dia 30 de setembro, para assim começar em outubro a operação para a produção dos insumos em solo brasileiro. "Isso fará com quem tenha a independência completa na produção da vacina e não tenha necessidade de importar insumos, principalmente da China", afirma Wilson Mello, presidente da Invest-SP.
No momento, o governo paulista espera o envio de insumos chineses para a produção da CoronaVac. Porém, eles lidam com as relações estremecidas entre o governo federal e a China. O presidente do Butantan, Dimas Covas, ressaltou que o governo trate com prioridade a relação com o país chinês para que os insumos cheguem o quanto antes. "Na segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que a vacina é do Brasil. Se ele diz isso, ele tem que certificar de que temos pressa, ainda mais com a divulgação de que a vacina Oxford só virá para o país em março", disse ele. 
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Na coletiva realizada nesta quarta-feira, Covas disse que a matéria-prima está pronta e só aguarda liberação do governo chinês para ser enviada ao Brasil. Caso o material não chegue até o final do mês, o calendário de vacinação precisará ser alterado não só em São Paulo, mas em todo o país. Na mesma coletiva, o governador de SP, João Doria (PSDB), disse que o escritório de São Paulo em Xangai, na China, está negociando a liberação. 
"Estamos na expectativa da chegada da matéria-prima porque a que recebemos já foi quase que totalmente processada. Agora, dependemos de importação de quantidade adicionais", disse o governador de SP. 
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O Butantan espera a chegada de 5,4 mil litros de matéria-prima neste mês para a produção de 5,4 milhões de doses de vacina. Posteriormente, aguarda mais 5,6 mil litros até o dia 10 de fevereiro para a fabricação de mais imunizantes. 
Após a chegada dos insumos, o processo para envasar as doses deve ocorrer dentro de cinco ou seis dias. Depois disso, a produção envolve outros processos, como controle de qualidade. A finalização das etapas dura em torno de 20 dias.
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Dimas disse que espera ter condições de liberar uma nova remessa de lotes para a vacinação na próxima semana. Ele se refere as 4,8 milhões de doses que já estão prontas no Brasil, mas dependem do aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a liberação, por ser um novo lote. "A Anvisa concluiu a análise documental e o diretor da área responsável disse que espera dar o parecer até o final desta semana. Portanto, se isso acontecer, na próxima semana já estaremos com condições de usar as doses das vacinas produzidas no Butantan. É um pedido para o produto feito aqui no Brasil, diferente daquele que foi autorizado no domingo, porque veio da China", finalizou ele.