Danyele Santos Negreiros foi nomeada para um cargo na prefeitura pelo namorado, seis dias antes do início da vacinação contra o novo coronavírus
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Danyele Santos Negreiros foi nomeada para um cargo na prefeitura pelo namorado, seis dias antes do início da vacinação contra o novo coronavírus Reprodução/ Instagram
Por iG
Brasília - Em Roraima, o Ministério Público pediu o desencargo da enfermeira Danyele Santos Negreiros da função de secretária-adjunta de Saúde da cidade de Alto Alegre. Danyele, namorada do prefeito Pedro Machado, ganhou o cargo seis dias antes do início da vacinação na cidade. As informações foram apuradas pela CNN Brasil. 

 De acordo com o pedido assinado pelo promotor, Paulo Trindade, Negreiros não se encontra na lista de prioridades e nem atua na linha de frente ao combate a covid-19. Ela teria se aproveitado da “condição de Secretária e do vínculo de afeto com o atual gestor do Município”. O MP-RR ainda pede que a enfermeira nem receba a segunda dose da vacinação. 

Alto Alegre, cidade de Roraima, recebeu 294 doses da vacina CoronaVac para imunizar profissionais da saúde que atuam diretamente no enfrentamento do vírus, para os profissionais que estão expostos, para os quilombos, indígenas e idosos que vivem em casas de permanência.

O prefeito da cidade, por meio de suas redes sociais, havia compartilhado o momento em que a namorada recebia o imunizante e também divulgado registros dela aplicando a primeira dose da vacina em outras pessoas. Segundo as informações do MP de Roraima, o nome de Danyele não está presenta na lista de servidores da cidade de Alto Alegre. Com mais de 33 mil seguidores em uma rede social, a enfermeira é tida como digital influencer e modelo. 

O Ministério Público pede a interrupção temporária da vacinação na cidade e que “promova a transparência e correção no plano de execução da COVID-19 (SARS-COV-2), divulgando amplamente, em aba própria do site da Prefeitura os respectivos beneficiados e imunizados”. 

É pedido também que em 24 horas, seja feita e enviada pela prefeitura local para a Promotoria do município, uma lista “nominal e funções efetivamente desempenhadas pelas pessoas imunizadas e critério de risco e/ou exposição à risco que justificou a imunização em ordem de prioridade” e “que proceda a adoção irrestrita de critérios objetivos e impessoais para escolha dos trabalhadores contemplados com a vacina contra a COVID-19”.