paçoca
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Por O Dia
Rio - Depois de toda a repercussão das compras que custaram R$1,8 bilhão ao governo federal, com ênfase nos mais de R$15 milhões gastos em leite condensado, novas informações começaram a surgir. Um levantamento realizado pela Revista Fórum, no Portal da Transparência, mostrou que em 2019 o Comando de Operações Navais da Marinha do Brasil comprou uma garrafa de chantilly de 250g por R$533. Outra transação que causou estranheza foi a de R$128.402,00 gastos em paçocas pela Diretoria de Abastecimento da Marinha, que pagou R$5,45 pela unidade do doce. 
O item aparece junto à uma lista de outros itens como pratos, facas e utensílios domésticos. A compra em um total de R$2.114,61, que não tem data específica, foi classificada como "Dispensa de Licitação", uma modalidade de venda que não pode ultrapassar R$17.600. De acordo com as informações do processo, a empresa fornecedora é a Principado de Astúrias Louças Ltda. Segundo o site da loja, ela atua no ramo desde 1955, com sede no Rio.
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Informação retirada do portal da transparência - Reprodução
Informação retirada do portal da transparênciaReprodução
Outro levantamento apontou uma compra, feita pela Diretoria de Abastecimento da Marinha, de R$128.402,00 em paçocas do tipo "rolha". Foram 23.560 unidades em embalagens individuais, adquiridas da empresa CCS Valente Comércios de Gêneros Alimentícios. Nesse caso, o que chama atenção é o valor de R$5,45 por cada unidade do doce, que é facilmente encontrado por volta de R$1 nas principais regiões do Brasil.
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Informação retirada do Portal da Transparência - Reprodução
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Nesta quarta-feira, o doutor em Direito, Mestre em Economia e professor do Ibmec, Bruno Carazza esclareceu a O DIA que a análise se há superfaturamento ou não em determinado item precisa ser feita caso a caso, e não de modo agregado. "Então só podemos identificar se há superfaturamento ao tomar cada compra em particular, e analisar se o preço pago pela Administração está ou não acima do praticado no mercado, e se não há justificativa técnica para uma eventual diferença exorbitante".
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Após os diversos questionamentos da imprensa, ontem o Ministério da Defesa informou, em nota, que "as Forças Armadas têm a responsabilidade de promover a saúde do seu efetivo por meio de uma alimentação nutricionalmente balanceada e que forneça macro e micronutrientes em quantidade e qualidade adequadas. Além disso, e, de acordo com o Estatuto dos Militares, Lei nº 6.880/80, a alimentação é direito assegurado ao militar, assim como as refeições fornecidas aos militares em atividade".  
Ainda em nota, a Defesa disse que "o efetivo de militares na ativa é de aproximadamente 370 mil homens e mulheres, que diariamente realizam suas refeições, em cerca de 1.600 organizações militares espalhadas por todo o país. Dessa forma, é compreensível que parcela considerável de despesas com gêneros alimentícios da União se dê no âmbito deste Ministério".
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Em comunicado enviado ao DIA, a Principado informou que "o valor praticado pela PRINCIPADO na referida venda para a Marinha do Brasil, em outubro de 2019, tem o mesmo valor da mercadoria ainda hoje. Além disso, o preço é compatível, e até mesmo abaixo, do valor encontrado na internet, em sites como Shoptime". 
ESCLARECIMENTO: Após a publicação da reportagem, a Principado entrou em contato com O DIA, por meio de advogados, e informou que "não se tratava da venda de uma lata de chantilly, como aquelas encontradas facilmente em supermercado, mas sim de uma garrafa profissional de chantilly em alumínio, que a Principado vende para o segmento de confeitarias e coquetelaria, com sifão, spray e gás", cujo preço seria compatível com os valores praticados no mercado. A informação diverge da descrição contida no Portal da Transparência, registrada na imagem que acompanha a matéria.
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Já a CCS esclareceu que o valor unitário, descrito na matéria como R$ 5,45 a unidade, trata-se, na verdade, da unidade da caixa com 16 unidades de doce de amendoim cada, e não por cada doce individual, saindo cada doce de amendoim por R$ 0,34 a unidade.