Governador de São Paulo, João Doria
Governador de São Paulo, João DoriaDivulgação
Por IG Saúde
Rio - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a criticar a atuação do governo Bolsonaro durante o pior momento da pandemia de Covid-19 no Brasil. Em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, o governador questionou: "tenha compaixão, Jair Bolsonaro, dos brasileiros que estão morrendo", disse o governador.

Doria ainda comentou a declaração do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, que alertou para o aumento dos casos no país. "O Brasil se tornou uma vergonha mundial. O diretor da Organização Mundial de Saúde já havia dito que o Brasil era uma ameaça aos países vizinhos da América do Sul. Em menos do 24 horas, a OMS colocou o Brasil como uma ameaça mundial à saúde do planeta. Essa é a gestão do mito Bolsonaro. É o mito da morte".

"Como cidadão eu me sinto revoltado, enojado de uma situação como essa. De um governo que compra cloroquina e não compra vacina. De um governo que ativa o gabinete do ódio para inflamar manifestações em todo o Brasil contra governadores que promovem a vida e a saúde dos brasileiros (...) num momento em que as pessoas deveriam estar em casa se protegendo, foram às ruas se máscaras para proteger Jair Bolsonaro, um negacionista", afirmou o governador.
O governador informou, ainda, que vai ajudar a levar o presidente a julgamento em tribunais internacionais por sua condução no combate à pandemia de covid-19. Em comissão de acompanhamento da pandemia no Congresso, ele declarou que pretende auxiliar para que Bolsonaro "seja julgado por esse genocídio que está cometendo contra os brasileiros".

O governador repetiu que o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, completará a entrega de mais 5,3 milhões doses da Coronavac ao Ministério da Saúde nos próximos dias e reforçou críticas ao governo federal. Segundo ele, em três dias, o Butantan entregará "mais vacinas para o Brasil do que todas as outras vacinas que o governo federal prometeu e pouco entregou"

"Até agora, o Ministério da Saúde, que promete, promete, promete e promete, só disponibilizou 4 milhões de doses da vacina de Oxford e da vacina AstraZeneca para os brasileiros", destacou o governador paulista.

Doria também se solidarizou com governadores que, como ele próprio, enfrentaram manifestações em seus Estados contra as medidas adotadas para combater a disseminação da covid-19. "Eu também, ontem, aqui, tive manifestações na porta da minha casa, xingamentos a mim, ameaças a mim, a minha esposa, aos meus filhos. Não foi a primeira vez, não será a última vez. Esse é o clima, infelizmente, que temos no País, e é o preço que nós, governadores, pagamos."

Com relação às medidas do plano emergencial que entraram em vigor hoje no Estado de São Paulo, o governador anunciou uma força tarefa com a Polícia Militar, Polícia Civil, Procon, prefeituras municipais, vigilância sanitária e guardas metropolitanas, para coibir eventos, "seja até em cassino", disse, em referência ao fechamento de dois estabelecimentos de jogos clandestinos no Estado. "Um deles, até com pessoas que deviam dar o exemplo de conduta aos demais e deram exatamente o pior exemplo" afirmou o governador, referindo-se ao jogador Gabriel Barbosa, o Gabigol, do Flamengo, encontrado em um dos flagrantes.
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*Com informações do Estadão Conteúdo