Arthur Lira (PP-AL)
Arthur Lira (PP-AL)Michel Jesus/agência Câmara
Por IG - Último Segundo
Rio - Nesta quarta-feira (24), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), enfatizou que o Congresso deve se empenhar na aprovação de medidas exclusivamente ligadas ao combate à pandemia de covid-19. Lira também afirmou que a Casa suspenderá a votação de quaisquer outras pautas, como privatizações ou reformas.
“Dentre todas as mazelas brasileiras, nenhuma é mais importante do que a pandemia. Esta não é a casa da privatização, não é a casa das reformas, não é nem mesmo a casa das leis. É a casa do povo brasileiro. E quando o povo brasileiro está sob risco nenhum outro tema ou pauta é mais prioritário”, disse.
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O presidente da Casa reforçou o compromisso na desobstrução das medidas de enfrentamento à covid-19 e anunciou que a Câmara tomará todas as medidas necessárias para garantir o combate à pandemia, mesmo que envolva atos contra o poder Executivo.
Nas palavras dele, o Legislativo tem uma série de “remédios amargos” que se podem usar contra governantes negligentes. Ainda assim, ressaltou que “muitas vezes são aplicados quando a espiral de erros de avaliação se torna uma escala geométrica incontrolável. Não é esta a intenção desta presidência. Preferimos que as atuais anomalias se curem por si mesmas, frutos da autocrítica, do instinto de sobrevivência, da sabedoria, da inteligência emocional e da capacidade política”.
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“E eu aqui não estou fulanizando. Dirijo-me a todos que conduzem os órgãos diretamente envolvidos no combate à pandemia. O Executivo federal, os executivos estaduais e os milhares de executivos municipais também. Como sabemos, o sistema de saúde é tripartite. Mas, também sabemos, a política é cruel e a busca por culpados – sobretudo em momentos de desolação coletiva – é um terreno fértil para a produção de linchamentos. Por isso mesmo, todos têm de estar mais alertas do que nunca, pois a dramaticidade do momento exige”

Confronto direto

O deputado também fez fortes críticas à conduta da pandemia de membros do órgão executivo. 
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Lira destacou a importância da política externa na vacinação e atacou o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo: “Pandemia é vacinar, sim, acima de tudo. Mas para vacinar temos de ter boas relações diplomáticas, sobretudo com a China, nosso maior parceiro comercial e um dos maiores fabricantes de insumos e imunizantes do planeta. Para vacinar temos de ter uma percepção correta de nossos parceiros americanos e nossos esforços na área do meio ambiente precisam ser reconhecidos, assim como nossa interlocução”.
Ainda assim, Lira ressalta que, apesar de ter a possibilidade de pautar os pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ou instaurar CPIs contra membros do governo que não cumprem suas atribuições, ou as fazem com má fé, prefere optar pelo diálogo.
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Em tom de ameaça, o presidente diz: “Faço um alerta amigo, leal e solidário: dentre todos os remédios políticos possíveis que esta Casa pode aplicar num momento de enorme angústia do povo e de seus representantes, o de menor dano seria fazer um freio de arrumação até que todas as medidas necessárias e todas as posturas inadiáveis fossem imediatamente adotadas, até que qualquer outra pauta pudesse ser novamente colocada em tramitação", disse.
"Falo de adotarmos uma espécie de ‘esforço concentrado para a pandemia’, durante duas semanas, em que os demais temas da pauta legislativa sofreriam uma pausa para dar lugar ao único que importa: como salvar vidas, como obter vacinas, quais os obstáculos políticos, legais e regulatórios precisam ser retirados para que nosso povo possa obter a maior quantidade de vacinas, no menor prazo de tempo possível".