O ex-presidente Michel Temer
O ex-presidente Michel TemerPaulo Guereta / Parceiro / Agência O Dia
Por iG
São Paulo -  O ex-presidente Michel Temer (MDB) declarou em entrevista nesta quarta-feira (14) ser contra ideia de impeachment contra o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido). “Sempre cria um trauma político”, declara.

O antecessor de Bolsonaro, questionado a respeito do que achava de uma eventual abertura de destituição contra o atual presidente, se disse contrario a ideia pelo fato de estarmos vivendo o auge da pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil: "Questão do impeachment eu confesso a vocês que eu sou radicalmente contra o impedimento do presidente nesse momento. Aliás, eu devo dizer que todo impeachment é traumático. Eu passei por esse momento e vocês acompanharam. Quando cai um presidente por meio do impedimento sempre cria um trauma político”, declara Temer em entrevista a Rádio Jovem Pan. “Nesse momento nós estamos numa pandemia violentíssima. Imagina misturar a pandemia com um pedido de impeachment?", questiona o mdbista.

Segundo o Datafolha, o governo Temer encerrou seu mandato, em dezembro de 2018, com a maior taxa de reprovação registrada na história da pesquisa, iniciada em 1989, sendo considerado ruim/péssimo por 62% e bom/ótimo para apenas 7%. 
Todavia, o vice de Dilma Rousseff (PT) que assumiu no posto após processo de impeachment da petista, declarou que ao fim do mandato, havia pedidos para que ele seguisse no cargo: “Se arrependeram, incentivaram muito o ‘fora temer’, que afinal, no final do governo passou a ser ‘fica temer’, tamanho reconhecimento do nosso governo”. 
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Ainda na entrevista, Michel Temer deu detalhes sobre o período mais tenso do seu governo , em maio de 2017, quando conversas entre ele e o então presidente da JBS, Joesley Batista, indicavam que o presidente deu aval para o empresário pagar propina para o deputado preso Eduardo Cunha manter silêncio:

“Quando alguém fala que vai derrubar o presidente é uma coisa poderosa. E houve esse movimento acompanhado pelo então Procurador-Geral da República (Rodrigo Janot) que se uniu a um grupo. Houve blogs e editoriais dizendo que eu iria renunciar, daí que eu fui lá e disse ‘não renunciarei, vou até o fim’, eu acho que decepcionei alguns que pregavam minha renúncia. Essas pessoas continuaram em uma campanha para me derrubar, que durou 6 a 8 meses”, declara.