Fábio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Jair Bolsonaro
Fábio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Jair BolsonaroMarcelo Camargo/Agência Brasil
Por ESTADÃO CONTEÚDO
Rio - Em depoimento à CPI da Covid, o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten afirmou que partiu dele a determinação sobre a distribuição dos recursos para campanhas publicitárias, que teriam priorizado ações sobre "preservação de emprego e renda" em detrimento dos aspectos sanitários, conforme narrou o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL). "(Governo) sempre se preocupou com as duas ondas", disse o ex-Secom, que voltou a dizer que não havia interferências externas sob seu trabalho.
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Segundo ele, foram feitas 11 campanhas informativas e publicitárias envolvendo o temática da pandemia do novo coronavírus, sendo quatro da Secretária de Comunicação e sete do Ministério da Saúde, entre fevereiro de 2020 até o presidente momento. Wajngarten disse também que o total de verba disponibilizada para campanhas sobre o assunto foi de R$ 285 milhões, entre a secretária e o Ministério da Saúde.
"Critério da tecnicidade e economicidade definiam mídias para publicidade. Secom e ministério comunicaram de acordo com a evolução da pandemia", disse o ex-Secom. Wajngarten respondeu ainda que não houve campanha e visasse contrariar medidas de estados e municípios.
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"A medida que protocolos de conhecimento da pandemia foram evoluindo sou totalmente a favor dos protocolos (não farmacológicos), a medida que ciência e médicos forem evoluindo, eu acolhei tudo o que eles falarem", afirmou.
Elogios ao Bolsonaro
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O ex-secretário de Comunicação relatou brevemente seu envolvimento nas negociações para a compra da vacina da Pfizer. Segundo ele, quando soube em novembro do ano passado que a empresa havia endereçado carta ao governo brasileiro, Wajngarten procurou "imediatamente" tentar auxiliar "eventual impasse". "Minha atitude foi republicana e no sentido de ajudar", disse o ex-secretário.

Wajngarten narrou que viu "por bem" levar o assunto da Pfizer para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), "na busca de uma solução rápida", e "assim foi feito". "Como secretário de Comunicação era bombardeado diariamente por dezenas de pautas da mídia cobrando questões de imunização. Porque a perfeita integração entre público e privado é vital para uma sociedade mais justa", afirmou o ex-secretário.

Wajngarten afirmou também que "sempre" teve toda "liberdade possível" para trabalhar no governo. "Toquei a secretária sem interferência de ninguém. Ao menor sinal de interferência eu teria ido embora", respondeu ao relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL). "Sempre tive toda a liberdade possível sem absolutamente interferência de ninguém", disse. Até agora em seu depoimento, Wajngarten fez elogios ao ex-chefe, presidente Jair Bolsonaro. "Bolsonaro superou um ataque covarde e nunca desistiu ou perdeu a fé. Com ele aprendi a ser resiliente", disse Wajngarten.

"Participei da luta do governo para combater essa pandemia e venceremos. Não podemos ser omissos, foi um honra e desafio atuar no governo democraticamente, foi honra e desafio profissional. Jamais me conformei com a inércia da burocracia. É desafiador comunicar adequadamente desde simples gesto de Presidente a medidas", afirmou ele, lembrando de quando foi infectado com covid logo no início da pandemia, em março.