Por marta.valim

BRASÍLIA - Não procedem as críticas de que o governo só estimula o consumo no País e não os investimentos, disse hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao participar do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

“É uma falha achar que isso ocorre. O Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financia investimentos em infraestrutura, implantação de fábricas, compra de tratores, máquinas. O que mais cresce é o financiamento [de projetos que exijam] investimento com taxas reduzidas”, defendeu. Ele admitiu que, para combater a crise, o governo teve que reduzir tributos para estimular o consumo, mas não se pode dizer que o governo só estimulou o consumo. “É um mito achar que só estimulamos o consumo", rebateu.

Mantega disse ainda que o Brasil continua sendo um dos países que mais recebem investimentos estrangeiros e que tem enfrentado a crise com a manutenção da economia em certo nível e gerando emprego. “Nos últimos onze anos, foram gerados mais de vinte milhões de empregos no Brasil, enquanto outros países têm aumentado o desemprego, nos últimos cinco anos. O país foi o único que passou pela crise gerando emprego. Algumas empresas têm dificuldade de conseguir mão de obra. Agora, estamos tendo que resolver a questão da qualificação”, disse.

Para Mantega, o crescimento do último ano, de 2,3%, “não foi um grande crescimento, mas o suficiente para gerar todos os empregos necessários” e proporcionar renda e riqueza ao país. Ele voltou a dizer que no âmbito do G20 [representa os vinte países que detém a maioria do PIB mundial] foi um dos que mais cresceram. “Poderia ser maior. Será maior quando houver o crescimento da economia mundial. Quando voltarmos a exportar mais. A indústria nacional está com capacidade ociosa. Atende o mercado doméstico, mas tem dificuldade de atender o mercado internacional que encolheu”.

Mantega voltou a criticar o rebaixamento da classificação de risco Standard & Poor's (S&P). Ele lembrou que, mesmo com o “suposto rebaixamento”, a bolsa continuou a subir e os juros caíram no mercado futuro, além da valorização do real em relação ao dólar. “A nota foi totalmente descartada pelo mercado. Ninguém olhou isso. Todo mundo avaliou a real situação da economia brasileira. Os investidores externo estão entrando com força na economia brasileira. Não vi nenhuma repercussão", disse. Ele lembrou que a S&P também rebaixou a nota dos EUA há alguns anos. “E também não aconteceu nada. Todo mundo continuou investindo nos EUA e levando dinheiro para lá. Então as coisas são bastante relativas".

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