Por monica.lima

A indústria química e farmoquímica, setor de maior peso na balança comercial, responsável por 18% das importações, à frente dos eletroeletrônicos, iniciou o ano com um desempenho favorável para o comércio exterior. Por causa da redução média de preços de seus produtos de 6%, comparada a igual período de 2014, o valor das importações caiu 3,7%, mesmo diante de um aumento do volume de compras de 2,2%, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). A diferença entre queda de custo e alta da demanda se explica no câmbio, após cerca de um ano de valorização do dólar frente ao real. Essa é uma “boa notícia para o governo”, considerando o registro, em 2013, do pior saldo da balança comercial desde 2000, de US$ 2,56 bilhões, salienta o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Fernando Ribeiro.

As compras externas do setor passaram de US$ 10,1 bilhões, de janeiro a março de 2013, para US$ 9,7 bilhões, em igual período deste ano. Essa é uma reversão de cenário, após dois anos em que as condições de mercado eram desfavoráveis ao Brasil, ressalta Ribeiro. Naquele período, os preços dos produtos exportados caíam mais do que os dos importados. “Para a balança, o resultado dos químicos ajuda, porque parte da piora da balança nos últimos dois anos teve a ver com os termos de troca”. Como para este ano a expectativa é que as commodities, principal pauta de exportação brasileira, não tenham a mesma valorização do ano passado, notícias de queda de preços de importados são bem-vindas, diz Ribeiro.

“Mas é cedo para afirmar que o desempenho do setor no primeiro trimestre seja uma tendência para todo o ano”, complementa. Pelas contas da Abiquim, 2014 fechará com déficit de US$ 32 bilhões, o mesmo do ano passado. Embora o comportamento do câmbio em 2013 tenha ajudado no resultado da balança em dólar e aberto espaço para negociações de preço que compensem aumentos de custo em real, as importações de químicos seguem uma dinâmica estrutural, e não conjuntural, afirma a diretora de Assuntos de Comércio Exterior da Abiquim, Denise Naranjo. Por isso, qualquer perspectiva de mudança só considera o longo prazo.

O que está ocorrendo neste início de ano, na verdade, é uma desaceleração do déficit comercial do setor. “Estávamos com uma locomotiva a todo vapor. A queda de preços serviu apenas como freio”, avalia Denise.

A análise da diretora da Abiquim é que muitos são os motivos a contribuir para que o setor permaneça deficitário. Mas ela resume na competitividade, assim como representantes de outros segmentos industriais manufatureiros, a exigência permanente de importação, causa recorrente do déficit comercial.

"Mesmo nos melhores momentos da balança comercial brasileira, esse foi um setor deficitário”, lembra Ribeiro.

No primeiro trimestre deste ano, de supersafra agrícola, o saldo de intermediários para fertilizantes, por exemplo, já acumula déficit de US$ 1,142 bilhão. Em volume, esse é o produto de maior dependência externa no grupo de químicos. De janeiro a março, o saldo entre aquisição e venda foi de 3,74 bilhões de toneladas.

O segundo maior peso parte dos medicamentos para uso humano, que geraram déficit no mesmo período US$ 1,143 bilhão, frente a um saldo de 2,7 milhões de toneladas.

Além da necessidade de importação por causa da inexistência de similares produzidos no país, a indústria consumidora nacional convive ainda com a competição do mercado externo.

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