Preço do petróleo continuará caindo por maior oferta nos EUA e na Líbia

Analistas de Wall Street preveem que o petróleo do tipo WTI chegue a uma média de US$ 100 por barril no quarto trimestre e que o Brent caia 4,8%, para US$ 107

Por marta.valim

Novos oleodutos nos EUA e o ressurgimento da oferta na Líbia estão aumentando a probabilidade de que os preços do petróleo caiam até o final do ano, após terem subido no primeiro semestre.

Analistas de Wall Street acompanhados pela Bloomberg preveem que o petróleo do tipo West Texas Intermediate (WTI) chegue a uma média de US$ 100 por barril no quarto trimestre, 5,1% a menos que em 30 de junho, e que o Brent caia 4,8%, para US$ 107. A violência no Iraque levou o Brent a US$ 115,71 em junho, seu maior nível desde setembro, pela preocupação de que a oferta fosse interrompida.

O Brent está pronto para declinar, em parte pela maior produção na Líbia, pois terminais cruciais de exportação foram reabertos. Nos EUA, os operadores estão concentrados nos suprimentos de Cushing, Oklahoma, ponto de entrega do contrato de futuros do WTI. A Tallgrass Energy Partners LP planeja completar a conversão do oleoduto Pony Express para transportar petróleo bruto de Wyoming a Cushing. O Flanagan South da Enbridge Inc. conectará o centro com Illinois.

“Cushing é uma ilha de escassez em um mar de abundância”, disse Harry Tchilinguirian, diretor de estratégia de mercados de commodities da BNP Paribas SA em Londres, em entrevista por telefone no dia 2 de julho. “No terceiro trimestre, observaremos dois novos oleodutos, o Flanagan e o Pony Express, que fornecerão Cushing. Então, haverá um novo equilíbrio”.

Ganho nos preços

O WTI subiu 7,1% nos primeiros seis meses de 2014 na New York Mercantile Exchange, pois os suprimentos de Cushing despencaram para seu valor mais baixo em cinco anos, com novas linhas que estão transportando o petróleo para a Costa do Golfo. O Brent, referência para mais de metade do petróleo do mundo, ganhou 1,4 % na bolsa ICE Futures Europe, com sede em Londres. O grau nos EUA caiu US$ 4,21, para US$ 102,29, durante os nove dias finalizados em 9 de julho, a maior sequência de quedas consecutivas desde 2009 e baixou para US$101, 80 hoje.

O Brent se encaminhava para uma queda no primeiro semestre, mas a expansão do conflito no Iraque aumentou a preocupação com uma interrupção da oferta. Os preços caíram depois que um avanço dos insurgentes islamitas não chegou ao sul do Iraque, onde está a maior parte da produção de petróleo bruto do país.

Os suprimentos de Cushing começaram a cair há dois anos, quando a direção do oleoduto Seaway foi revertida para levar petróleo para fora do centro. Em 3 de julho, a Enbridge e a Enterprise Products Partners LP disseram que completaram um anel de 833 quilômetros que deve aumentar a capacidade do Seaway de 400.000 para 850.000 barris diários.

Produção nos EUA

A produção de petróleo bruto nos EUA subiu para 8,514 milhões de barris por dia na semana que terminou no dia 4 de julho, a maior cifra desde outubro de 1986, mostram os números da Administração Americana de Informações sobre Energia (EIA). Prognostica-se que a produção anual chegue a 9,28 milhões de barris diários em 2015, a maior desde 1972.

O consumo internacional deve crescer 1,2% neste ano, para 91,62 milhões de barris por dia, diz a EIA.

As preocupações com o Iraque aumentaram em meio a uma queda na oferta da Líbia. A Líbia bombeou 300.000 barris por dia em junho, 73% a menos do que há um ano, segundo uma pesquisa feita pela Bloomberg com empresas de petróleo, produtores e analistas. A produção aumentou para 350.000 barris por dia, disse Mohamed Elharari, porta-voz da National Oil Corp., ontem em entrevista por telefone.

A Arábia Saudita também contribuiu para a oferta, aumentando sua produção em 230.000 barris diários, para 9,9 milhões, o maior número desde setembro, quando bombeou 10 milhões, maior cifra em dados mensais computados desde 1989.

“Os EUA e a Arábia Saudita compensaram os declínios na produção da Líbia e do Iraque quase sozinhos”, disse Katherine Spector, estrategista de commodities da CIBC World Markets Inc. em Nova York, em entrevista por telefone no dia 2 de julho. “Se o outro sapato cair, ninguém poderá compensar a perda”.

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