Por bruno.dutra

Brasília - No próximo dia 30 , a Eletrosul fará um leilão inédito de energia vinda de fonte fotovoltaica. A energia ofertada — de 800 MWh/ano virá da Usina Megawatt Solar, planta que corresponde à própria sede da empresa, em Florianópolis (SC), que foi transformada para geração de energia com a instalação de placas solares. Com isso,a empresa pretende inaugurar uma nova modalidade de negociação no mercado destinado à fonte alternativa, incentivando o uso e a comercialização da energia solar no país.

“Um exemplo de que há demanda por essa fonte é que ela foi incluída pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) no leilão de energia de reserva. Mas o leilão é A-3, para empreendimentos em andamento. Começamos a desenvolver a geração de energia há mais de dez anos e já temos capacidade de comercializá-la hoje”, afirmou o assistente executivo da Diretoria de Operação da Eletrosul, Anilson Luiz Duarde.

Segundo ele, existe uma expectativa de que participem do leilão empresas que desejam ter sua imagem ligada à energia limpa.

“Além da marca associada a uma matriz limpa, os compradores poderão, a depender do montante contratado, adquirir o selo solar (concedido pelo Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica)”, explicou.
A Eletrosul iniciou a operação da Usina Megawatt Solar, em fase de testes, em junho deste ano, e obteve autorização da Aneel para operar comercialmente, a partir de 25 de setembro. A usina é composta por mais de quatro mil painéis fotovoltaicos, instalados na cobertura do prédio e estacionamentos da sede da empresa, totalizando uma área de 8,3 mil metros quadrados.

Os 800 MWh/ano que a empresa pretende comercializar no leilão são divididos em 16 lotes de 50 MWh/ano, com início de suprimento em janeiro de 2015 e duração de dez anos. Foi estipulado preço mínimo de R$ 280,00/MWh. Antes da drástica redução no nível dos reservatórios brasileiros e a disparada do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) no mercado livre, esse patamar poderia ser considerado alto. No entanto, com o PLD hoje em mais de R$ 700 por MW/h, especialistas consideram provável o sucesso do leilão da Eletrosul.

“Com o preço alto do PLD, mesmo a fonte solar, que é mais cara, acaba se viabilizando”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), Luiz Fernando Vianna, para o qual, se o PLD continuar no atual patamar, a realização de leilões de energia solar pode se tornar uma tendência. “Há um ou dois anos ninguém poderia imaginar que um leilão como esse poderia acontecer”, comentou, acrescentando que outra questão fundamental, a favor do certame é a falta de disponibilidade de energia para contratação.

A Eletrosul tem também uma segunda vantagem a seu favor: como tem outras fontes de geração, pode assegurar o fornecimento, reduzindo o risco de interrupção que geralmente é avaliado pelos consumidores na hora de contratar a energia solar.
“Pelo portfólio que a Eletrosul tem, ela consegue garantir o fornecimento 24h ao dia”, diz o presidente da Associação Brasileira de Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Mario Menel.

Segundo Duarde, da Eletrosul, de fato, o edital prevê que outras fontes sejam utilizadas para suprir o fornecimento, caso não haja geração solar suficiente para cumprir os contratos.

“Mas não acreditamos que será necessário utilizar outras fontes. O nosso projeto tem uma potência instalada maior, mas estamos ofertando 800 MWh/ano para dar uma margem de segurança. Além disso, o contrato já prevê um volume maior de fornecimento no verão, quando há mais luminosidade, e menor do inverno”, destacou.

As empresas interessadas na energia solar fornecida pela Eletrosul deverão entregar a documentação de inscrição até as 18 horas do próximo dia 27. Os inscritos poderão participar de uma simulação do leilão, no formato eletrônico, dia 29, às 10 horas, véspera do início do leilão.

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