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Agronegócio pode ser a exceção positiva na economia em 2015

Avaliação feita pelo Cepea aponta tendência de setor crescer 2,8% este ano, salvando o PIB, que subiria apenas 0,4%

Por bruno.dutra

São Paulo - Em um cenário de baixo crescimento em 2015 — com previsão de expansão da economia brasileira de apenas 0,4%, segundo o Boletim Focus do Banco Central — o agronegócio pode ser o único, ou um dos únicos setores a registrar crescimento este ano. Estimativas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, apontam que o setor como um todo pode crescer 2,8%, em razão de uma de tendência de avanço mais lento da agroindústria (2,0%) e dos insumos (3,2%) comparativamente ao segmento primário, cujo potencial é de crescer 4,0%.

Para o coordenador do Cepea e professor da Esalq/USP, Geraldo Barros, essa expansão virá especialmente de “dentro da porteira”. Ou seja, com o ganho de produtividade que tem sido característica do setor nos últimos anos — ao redor de 5% ao ano.

Câmbio e fatores climáticos são apontados pelo Cepea como condicionantes que poderão ter impacto nesses números — para o bem ou para o mal. Segundo Barros, uma desvalorização do real ajudaria o agronegócio, tornando os produtos nacionais mais competitivos no mercado mundial, embora possa dificultar o controle da inflação. Ainda assim, por responder por 40% do faturamento das exportações brasileiras, o agronegócio poderá abrir espaço para o crescimento dos demais setores, dependentes de importações e, portanto, das divisas que o setor pode gerar.

Em relação ao clima, o estudo aponta não se tratar apenas do comportamento no país, mas sim, no planeta. “Fortes eventos climáticos nos Estados Unidos ou outros importantes produtores podem afetar com intensidade a renda do agronegócio brasileiro positiva ou negativamente”.

De uma maneira geral, entretanto, o Cepea avalia que o desempenho dos principais setores do agronegócio brasileiro tende a ser positivo em 2015. Segundo o professor da Esalq/USP Lucilio Alves, responsável pelas pesquisas sobre o mercado de grãos do Cepea, a produção de soja mais uma vez deve ser recorde, alcançando pouco mais de 90 milhões de toneladas. A má notícia é que isso deve se repetir no mercado mundial, o que pode derrubar os preços.

Em relação ao milho, Alves aponta que a área cultivada na 1ª safra diminui, em favor principalmente da soja. Além dos preços vigentes no período de decisão da safra de verão, essa redução ocorre também devido às chuvas escassas no Sudeste e em parte do Centro-Oeste. Dados da Conab apontam que, no final de janeiro de 2015, haverá estoques na casa de 15,3 milhões de toneladas, o que equivaleria a 48% do que foi colhido na safra verão 2013/14.
A falta de chuva também prejudica a pecuária brasileira, mas ajuda nos preços. A seca tem efeito negativo não só sobre a engorda dos animais, mas também na taxa de prenhez e no desenvolvimento de bezerros e garrotes, que atravessaram períodos de baixa nutrição. O resultado aparece na queda do número de animais ofertados para abate e no peso das carcaças.

Essa menor oferta de carne no ano passado justificou valorizações significativas. Entretanto, as cotações elevadas inibem o consumo — especialmente num ano em que a atividade econômica deve ser bastante lenta. Ainda assim, os pesquisadores descartam uma queda comparativamente ao ano anterior. “A situação de grandes produtores internacionais, bem como a continuidade do embargo de parte da comunidade internacional à Rússia, devem favorecer as vendas da carne brasileira, mesmo que haja dúvidas sobre o comportamento do câmbio no mercado interno”, aponta o estudo.

A forte estiagem reduziu também a produção do café, em torno de 10%. Para a safra 2015/16, produtores estimam nova baixa da oferta de arábica, com as lavouras ainda sob os efeitos da seca.

Já o leite é um dos poucos setores que acenam para redução dos preços em 2015. A produção anual no país é sempre crescente, a uma taxa média de 5%. Mas segundo o Cepea, a alta em 2014 foi bem além, podendo ultrapassar os 10% nos estados mais representativos do setor, o que ajuda a entender o nível das cotações na virada do ano, próximas às de 2011.

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