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Indústria calçadista aposta na exportação

Desvalorização do real aumenta a competitividade do produto nacional no exterior e desestimula importação. Em 2014, vendas internas de sapatos caíram 1% e externas 2,6%

Por monica.lima

São Paulo - Depois de atingir superávit de US$ 505,9 milhões na balança comercial, o setor calçadista projeta crescimento nas exportações e estabilidade nas vendas no mercado interno em 2015. Heitor Klein, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), avalia que a desvalorização do real frente ao dólar e ao euro vai contribuir positivamente para os embarques internacionais dos sapatos brasileiros deve melhorar a competitividade do produto nacional.
“Ainda não temos uma projeção para 2015. Mas a melhora do câmbio, associada aos ganhos de produtividade das empresas, pode trazer mais oportunidades para os fabricantes brasileiros no mercado externo”, diz, mencionando que a entidade trabalha com uma projeção da taxa média de câmbio entre R$ 2,90 e R$ 3.

Segundo dados da Abicalçados, a indústria calçadista brasileira encerrou 2014 com queda de 2,6% nas exportações, comercializando 129,5 milhões de pares, com receita de US$ 1,067 bilhão. Atualmente, as exportações correspondem a 12% das receitas do setor. Já as importações recuaram 1,9% no ano em relação a 2013, em decorrência do desaquecimento nas vendas no varejo de calçados brasileiro. No ano passado, o Brasil importou 36,8 milhões de pares, gerando receita de US$ 561,28 milhões para países como Vietnã (US$ 323,47 milhões, alta de 8,2% ante 2013); Indonésia (US$ 111,83 milhões, queda de 2,3%); e China (US$ 53 milhões, queda de 11,7%).

Os principais compradores dos calçados brasileiros no exterior foram Estados Unidos, Argentina e França, respectivamente. No ano, os americanos fizeram a aquisição de 11,85 milhões de pares, somando US$ 193,67 em receita, 2,2% acima do registrado em 2013. Já os argentinos compraram 31,3% menos sapatos brasileiros por causa da crise e das barreiras comerciais impostas pelo país vizinho. No total, a Argentina importou 7,6 milhões de pares, resultando um faturamento de US$ 81,68 milhões. Já a França adquiriu 8,9 milhões de pares, gerando US$ 70,1 milhões de divisas para o Brasil, com leve alta de 0,5% nas vendas.

De acordo com Klein, a indústria calçadista brasileira produz 900 milhões de pares por ano. “Um total que não corresponde nem a 10% das exportações mundiais da China que comercializa anualmente cerca de 10 bilhões de pares”, comenta, mencionando que o setor registrou queda de 1% nas vendas internas no ano passado e tem enfrentado grandes dificuldades para manter a competitividade por causa dos custos de produção. Klein atribui a queda de desempenho no ano passado à concorrência da Copa do Mundo, que turbinou apenas o consumo de produtos da linha branca e de TVs, além de serviços.

Segundo o presidente da Abicalçados, a eleição foi outro evento que também prejudicou os negócios do setor em 2014 porque causou oscilações cambiais, além do aumento do preço do couro impulsionado pela alta das exportações. “O ano passado foi um ano de muito aprendizado e as lições que as empresas aprenderam servem para alavancar o crescimento para os próximos anos”.

De acordo com Klein, a exportação se tornou uma necessidade vital da indústria brasileira que já chegou a escoar 25% de sua produção. E é com o objetivo de alavancar os negócios do setor no mercado internacional que a Abicalçados e a Apex-Brasil anunciaram a renovação do convênio do programa Brazilian Footwear por mais dois anos. A parceria deve receber R$ 41,1 milhões em investimentos destinados a ações de marketing no exterior, sendo R$ 28,5 milhões desembolsados pela Apex e os R$ 12,9 milhões restantes pela associação. O programa existe há 14 anos e já contribuiu para aumentar em 50% as vendas externas dos calçados brasileiros. Nos próximos anos, os principais países alvos das ações de marketing da Brazilian Footwear serão os Estados Unidos, México, Colômbia, Alemanha, Emirados Árabes, China e Rússia. “O maior desafio é conquistar reconhecimento para as marcas nacionais. Esse é um paradigma difícil de quebrar. Mas aos poucos vamos superando esse obstáculo”, afirma Klein.

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