Nível dos reservatórios da Bacia do Paraíba do Sul chega a 1,4%

A queda nos reservatórios que abastecem o Rio de Janeiro, segundo especialistas, impõe a necessidade de programas de contenção do consumo. Eles temem uma crise semelhante à de São Paulo

Por monica.lima

A seca inesperada na Bacia do Paraíba do Sul durante o mês de janeiro levou os níveis dos reservatórios do rio a limites críticos e reforça, segundo técnicos, a necessidade de medidas mais drásticas para evitar uma crise de abastecimento no Rio. Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), o reservatório de Paraibuna, o maior da bacia, tinha apenas 0,5% de sua capacidade de armazenamento no último dia 19. O governo do Rio estuda o uso do volume morto do Paraibuna para melhorar a segurança do abastecimento de água no estado.

“Essa situação crítica vem se anunciando desde o início do ano passado e só vem se agravando”, diz o presidente do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (Cerhi-RJ), Décio Tubbs, um dos defensores de campanhas de racionalização do consumo no estado. Na média, o nível dos reservatórios da bacia está em 1,4%, uma queda de 11 pontos percentuais com relação ao verificado no final de outubro de 2014. A Bacia do Paraíba do Sul abastece a cidade do Rio de Janeiro, a Baixada Fluminense e outros 180 municípios nos estados de Rio, São Paulo e Minas Gerais.

Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) choveu apenas 37,8 milímetros sobre a bacia entre os dias 1 e 19 de janeiro deste ano. O volume é equivalente a 15,62% do verificado no mesmo período de 2014. A média histórica de chuvas para janeiro na região é de 241,9 milímetros. A previsão do Climatempo é que, em fevereiro, as chuvas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste cheguem a 60% da média histórica.

“A saída agora é rezar”, comenta Tubbs, para quem o uso do volume morto não representa solução definitiva para o problema. Segundo técnicos do setor, com a medida, a captação de água no Paraibuna aumentaria em 400 milhões de litros, o que garantiria o abastecimento das cidades rio abaixo por três meses. A ANA informou que está se articulando com os órgãos competentes para avaliar a questão. “Diferententemente do volume morto do Sistema Cantareira, no Paraíba do Sul não será preciso fazer obras, pois o volume será acessível por gravidade, tal como ocorre com o volume útil”, informou a agência, por meio de sua assessoria de imprensa.

Para Tubbs, mesmo com o volume morto, o abastecimento pode ter problemas ainda em 2015, caso as chuvas não sejam suficientes para repor o estoque de água. Em novembro, o Cerhi-RJ enviou ao governo do Estado pedido para a adoção de campanhas de contenção de consumo, com o objetivo de reduzir o ritmo de perda de água nos reservatórios. “Não interessa o nome que se dá — restrição, racionalização — é preciso fazer alguma coisa. A população tem que poupar água”, alerta o presidente do Conselho.
No ano passado, foi concluído um plano estratégico para a bacia, que propõe políticas e investimentos para melhorar a segurança do abastecimento, mas até agora nada foi feito, segundo Tubbs. “O poder executivo precisa se apoderar desse relatório e tomar uma decisão. Até agora, estamos apenas apagando incêndios”, reclama o especialista. Procurado, o governo do Estado não respondeu ao pedido de entrevista até o fechamento desta edição.

Indústria fluminense prevê aumento de custos

Pesquisa divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) com 487 empresas do setor revela que 30,6% estão enfrentando problemas devido ao baixo nível nos reservatórios de água. Essas indústrias empregam 59.849 trabalhadores. Não há ainda uma percepção generalizada de falta d’água, disse o gerente-geral de Meio Ambiente da Firjan, Luis Augusto Azevedo. Ele observou, porém, que algumas regiões, como a da Bacia Hidrográfica do Médio Paraíba do Sul, a foz do Rio Paraíba do Sul (localizada no Norte do estado) e a região final da Bacia do Rio Guandu, na Zona Oeste da capital, têm historicamente dificuldade de abastecimento nos períodos mais secos.
Entre as empresas afetadas, 50,3% disseram que o principal efeito sentido foi o aumento do custo de produção. A pesquisa revelou que muitas companhias vêm tomando medidas para reduzir o consumo de água. Nesse sentido, o controle do consumo foi apontado por 57% dos entrevistados, enquanto o controle de perdas na rede de distribuição foi citado por 28,5%, e o reúso de água, por 25,8%.

“É necessário sensibilizar a população para economizar água, buscar suas formas de economia, verificar vazamentos”, disse Azevedo, lembrando que há inúmeras cartilhas elaboradas por órgãos públicos e privados com esse objetivo. “É cada vez mais fundamental que as pessoas participem. Temos também que adotar medidas de racionalização de água na agricultura. Enfim, todos os setores têm de reduzir o consumo”. com ABr

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