Investimento da indústria em 2015 será ainda menor, afirma CNI

No último ano, apenas 71,8% dos empresários realizaram investimentos. O índice registrado no setor é o pior desde 2009

Por bruno.dutra

Brasília - O apetite dos empresários para investir chegou ao nível mais baixo dos últimos seis anos. Pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, em 2014, 78,1% dos empresários pretendiam realizar investimentos. No entanto, somente 71,8% de fato concretizaram a previsão. Foi o pior número registrado desde 2009, início da série histórica elaborada pela CNI.

Para 2015, a expectativa é ainda mais fraca: apenas 69,3% das empresas pretendem fazer algum tipo de investimento ao longo do ano. O que mais assusta o empresariado são as incertezas econômicas, citadas por 77,4% dos entrevistados. Em seguida, aparece a reavaliação da demanda, mencionada por 45% deles, e também o custo do crédito, por 34,2%.

Para o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, o pessimismo é reflexo das dificuldades enfrentadas pelas indústrias em 2014. “O desempenho do setor foi negativo e o nível de ociosidade está elevado”, afirmou, lembrando que a confiança dos empresários também está abalada. Segundo a CNI, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) caiu 0,8 ponto em janeiro em relação a dezembro de 2014 e ficou em 44,4 pontos, o nível mais baixo desde janeiro de 1999, quando começou a série histórica. Na comparação com janeiro de 2014, o Icei acumula uma queda de 8,7 pontos.

A avaliação dos analistas é que os ajustes que estão sendo promovidos pela equipe econômica devem gerar efeitos positivos sobre a confiança dos empresários e de fato levar à retomada dos investimentos, como almeja o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Contudo, o primeiro efeito das medidas é reforçar a tendência de retração da demanda e aumento das dificuldades para a indústria. “Além da queda nos investimentos, pesam sobre a indústria o aperto na política monetária e fiscal. Eles têm efeito restritivo sobre o setor, elevando a pressão sobre os custos significativamente, por exemplo, com a alta dos preços administrados, principalmente, da energia. Medidas como o aumento do IOF sobre o crédito das pessoas físicas e a elevação da Cide-Combustíveis acarretam um impacto sobre a renda das famílias e o consumo potencial diminui”, analisou o economista da Tendências Consultoria Rafael Bacciotti.

No horizonte de prazo mais longo, as previsões são mais otimistas. “A ideia do governo é retomar a confiança do setor privado. Isso tem relação com a produção e o investimento. Está sendo feito todo esse ajuste, com uma intensidade maior até do que se esperava, para promover um choque de confiança. É uma sinalização importante para os empresários, de que há efeitos restritivos no curto prazo, mas está se abrindo espaço para a retomada dos investimentos nos próximos anos”, avaliou Bacciotti.

O chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, concorda com a análise. “Os investimentos serão retomados, mas não esse ano. A expectativa agora é de os investimentos em geral diminuam, porque os juros estão muito altos. Na medida em que o ajuste fiscal fizer efeito sobre as taxas de juros — e acredito que isso será no fim do ano, quando elas começarão a cair — os investimentos serão retomados. No ano que vem, os empresários vão reagir favoravelmente”, previu.

Segundo o economista da CNI Marcelo Azevedo, não foi apenas a intensidade dos investimentos que mudou desde 2014, mas também o perfil dos aportes feitos pela indústria. “Boa parte dos investimentos realizados durante o ano não foram direcionados ao aumento da capacidade, mas à melhoria da produtividade por meio da simplificação de processos”, destacou. Para os próximos anos, contudo, a confederação espera que as medidas adotadas pelo governo neste início de segundo mandato incentivem a expansão da indústria. “O investimento para ampliação da produção, com novas plantas, gera um estímulo mais forte sobre a atividade. Agora é o momento de arrumar a casa e melhorar a competitividade. Mas é preciso tentar trazer esse investimento de volta”, comentou o economista.

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