Por monica.lima

Cortejado pelos tucanos, interessados no seu apoio à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD) tem dito que manterá a candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes. Mas mantém conversas com o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, e não será uma surpresa se Kassab desistir do projeto pessoal para se aliar ao líder empresarial, pré-candidato pelo PMDB. O partido do ex-prefeito pode preencher a vaga de vice - com Alda Marcantonio, que ocupou o posto na gestão Kassab - e lançar o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles ao Senado. Colegas de partido afirmam que, no momento, a negociação com Skaf é a única capaz de tirar Kassab do páreo.

Pesa a favor do candidato do PMDB a proximidade entre eles. Além de terem em comum a origem libanesa, ambos entraram na política por meio de entidades empresariais. Kassab é até hoje ligado à Associação Comercial de São Paulo, berço político também do ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos (PSD). Os dois partidos também devem apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e esperam explorar um eleitorado que está descontente com as gestões tucanas, há 20 anos no comando do Executivo paulista, mas também rejeitam a possibilidade de votar no candidato do PT, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha. Juntos, PSD e PMDB também conseguiram um tempo expressivo para fazer a campanha eleitoral no rádio e na TV, o que aumenta as possibilidades dos candidatos da coligação na disputa.

PSB e PPS abandonaram a negociação

Os apoiadores do presidenciável Eduardo Campos (PSB) chegaram a participar da articulação de uma candidatura para enfrentar os tucanos e os petistas no Estado. Em seus discursos, Campos tem explorado a ideia de que é preciso acabar com a polarização entre o PT e o PSDB. PSB e PPS abandonaram a negociação por não acreditarem que Skaf deixaria de apoiar a reeleição de Dilma para estar ao lado do ex-governador de Pernambuco. O socialista considera fundamental ter um palanque exclusivo em São Paulo e acredita na força de sua vice - a ex-ministra Marina Silva, líder da Rede - para alavancar a coligação no Estado.

Temor de Temer

O PMDB já apoia Campos em estados como Pernambuco e Rio Grande do Sul. Mas o vice Michel Temer é de São Paulo e acredita que pode até perder sua vaga na chapa que vai disputar a reeleição se não conseguir manter o apoio a Dilma Rousseff pelo menos do PMDB nacional e do paulista.

Ferro pode evitar disputa dentro do PT

A disputa dentro do PT pela vice-presidência da Câmara dos Deputados continua intensa. O cargo ficou vago após a renúncia do deputado afastado André Vargas, recém-desfiliado do PT. Nos últimos dias, ganhou força o nome de Fernando Ferro (PT-PE). Deputado federal em seu quinto mandato e fundador do partido e da CUT, ele é respeitado por diferentes tendências petistas. É uma das últimas apostas para construir um consenso dentro da bancada.

Deputado faz parte da segunda maior tendência

Fernando Ferro foi líder do partido na Câmara por dois mandatos. Ele é um dos principais representantes do Movimento PT, grupo do qual também fazem parte o líder do Governo na Casa, Arlindo Chinaglia (SP), e a ex-ministra da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (RS). É a segunda maior tendência do partido, atrás apenas do CNB.

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Com Leonardo Fuhrmann

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