Assim como aconteceu nas oitavas de final da Copa do Mundo - em que todos os jogos foram decididos nos últimos minutos, na prorrogação ou mesmo nos pênaltis - há quem aposte em mais reviravoltas na disputa ao Senado em São Paulo. O prazo final para a inscrição das candidaturas termina no próximo sábado. A principal dúvida é se o ex-governador José Serra (PSDB) e o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), seu aliado político, de fato se enfrentarão. Ambos garantem que o embate acontecerá, mas, mesmo entre os pessedistas, existem dúvidas de que isso de fato ocorra. A avaliação é que o maior favorecido pelo enfrentamento seria o senador Eduardo Suplicy (PT), que busca sua recondução ao cargo, pois Serra e Kassab dividiriam um eleitorado muito parecido.
Além disso, o PTB anunciou um rompimento com a chapa do governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, para lançar Marlene Campos Machado ao Senado. A equipe de Suplicy aguarda a confirmação das candidaturas para decidir sua estratégia de campanha. A previsão dos petistas é que a conquista de recursos federais para São Paulo será um tema explorado pelos adversários. O senador garante ter números para rebater as críticas , apesar de não fazer emendas parlamentares, segundo diz, por uma questão de coerência ideológica. O estilo considerado folclórico de Suplicy também já é alvo de ataques. O desafio de Kassab - caso mantenha sua candidatura até o final, como tem dito - será se apresentar como uma alternativa a Serra, atual líder nas pesquisas de intenção de votos. Ao se diferenciar, pode dificultar depois a reaproximação.
Aliado quer Kassab contra Serra
Oposicionista aos governo José Serra e Geraldo Alckmin (ambos do PSDB), o deputado Major Olímpio (PDT) acredita que Kassab pode explorar a diferença de relacionamento com o funcionalismo, principalmente os policiais, caso queira superar o candidato tucano. O pedetista é candidato a deputado federal e faz parte da coligação que apoia Paulo Skaf (PMDB) na disputa ao governo paulista e do pessedista ao Senado. “Na última eleição presidencial, criei a Frente Anti-Serra pelo Bem do Brasil, agora vou criar a mesma frente para São Paulo”, afirmou. Ele chegou a dizer que se afastaria da política caso seu partido se aliasse ao PSDB no Estado.
Só francês explica
Próximo ao presidenciável tucano Aécio Neves, o deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG) apelou para o naturalista francês Georges-Loius Leclerc, do século XVIII, para explicar a demora de José Serra (SP) em decidir sobre sua candidatura ao Senado: “O estilo é o próprio homem.”
PT na hora de ver o lado positivo
Apesar da diminuição no tempo de TV, petistas disseram ter sido positiva a saída do PP de Paulo Maluf da chapa do candidato do PT ao governo de São Paulo Alexandre Padilha. “Agora, a estratégia é buscar o o eleitorado progressista, marcar essa posição e disputar com o Paulo Skaf (PMDB) a ida ao segundo turno”, diz o deputado Paulo Teixeira. “Dentro dessa perspectiva, foi melhor a saída do Maluf”.
Foto de governador de MG vira meme
O governador de Minas, Alberto Pinto Coelho (PP), e o deputado federal Guilherme Mussi (PP-SP) defendiam, na convenção nacional do partido, o apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB). Saíram duplamente derrotados: o PP preferiu apoiar a reeleição de Dilma e eles fizeram sucesso nas redes sociais entre os adversários do tucano por conta da foto, postada pelo parlamentar, em que empunham a mensagem “Vai dar Aécio Neves”.