Por monica.lima

Acendeu o sinal amarelo ontem na equipe de negociadores políticos do governo. As duas MPs do ajuste que tramitam no Congresso estão com seus prazos cada vez mais apertados. Ambas têm que que ser aprovadas até primeiro de junho, mas na Câmara o assunto precisa ser liquidado até 23 de maio, prazo limite para que cheguem ao Senado.

O ministro da Fazenda%2C Joaquim Levy e o presidente do Senado%2C Renan CalheirosDivulgação

Segunda-feira, ficou pronto o relatório da MP 664, que trata de restrições ao acesso a recursos de pensão e auxílio doença e deve ser votada dia 5 na comissão especial. A 665, que legisla sobre auxílio desemprego e abono salarial estava programada para ser apreciada ontem.

O problema é a proximidade de mais um feriado e o risco de desentendimentos que marcam a tramitação da matéria desde o início.

Durante acalorada discussão sobre as medidas do governo, por exemplo, o senador Renan Calheiros, apesar do bom diálogo mantido com o ministro Joaquim Levy pela manhã, à noite chamou o ajuste de "trabalhista", em vez de fiscal, pois ainda não consegue vislumbrar o dia seguinte .

Duas fórmulas

Por meio de todas as suas entidades de representação setorial, os empresários estão pondo pilha no programa de concessões que o ministro Nelson Barbosa deverá entregar o mais breve possível para a presidente Dilma. No caso dos portos, o segmento mais complicado para funcionar em mãos privadas sob nova regulação, os investidores aceitam inclusive dois modelos de exploração econômica – o atual, que garanta direitos adquiridos, e o que resultar da legislação em estudos. O importante é que o programa se torne realidade.

"Terceirização"

A demissão do diretor de Informática por descumprimento da jornada de 40 horas demonstra que Eduardo Cunha não conhece a Câmara. Segundo servidor com dez anos de casa, atingido pelas medidas do deputado, uma visita de surpresa ao Serviço Médico daria ao chefe uma visão realista sobre jornada de trabalho no Poder Legislativo.

O voto de Gilmar

O ministro Gilmar Mendes prometeu a um senador da oposição que até o final de junho devolverá ao plenário do Supremo a decisão sobre financiamento privado de campanha eleitoral com o seu voto. Há um ano, quando o placar já estava 6 x 1 contra o sistema, o ministro pediu para estudar melhor a questão. Desde então a reforma política avançou no Congresso, mas o capítulo do financiamento ficou travado no Supremo. Mendes sofreu forte pressão nos últimos meses, mas acha que não poderia correr à frente dos políticos.

Golpe de estado

Mesmo que volte ao Senado amanhã, Eduardo Braga já terá deixado um legado: a derrubada de Márcio Zimmermann. O técnico mandava há dez anos no setor, tinha mandato conferido pela presidente Dilma e filou-se ao PMDB para blindar-se. Braga tornou-se o melhor amigo de infância de Ildo Grudtner, secretário de Energia e seu tutor no subtema mais espinhosos do ajuste.

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