Por monica.lima

São Paulo - A movimentação contra e a favor da fusão do PSB com o PPS transfere para o plano nacional uma disputa que marca o Partido Socialista Brasileiro em São Paulo. De um lado, o vice-governador, Márcio França, presidente do diretório estadual, e de outro a deputada federal Luiza Erundina, a mais votada do partido. França é favorável à fusão, enquanto Erundina encabeça um movimento para evitá-la. Por enquanto, a união com o PPS — presidido pelo agora deputado por São Paulo Roberto Freire — está adiada, mas os defensores da ideia afirmam que não vão desistir dela. 

“Estaremos juntos na disputa de 2016 e depois vamos avaliar melhor a possibilidade de consumar juridicamente a união”, afirma o ex-deputado Beto Albuquerque (RS), um dos vice-presidentes nacionais do PSB.

A alegação oficial dos defensores da fusão é que não haveria tempo hábil para convencer os dissidentes a aceitarem a união com o PPS até setembro, prazo necessário para que o novo partido pudesse disputar a eleição do ano que vem como uma legenda única. Além de Erundina, figuras de expressão como o ex-presidente Roberto Amaral, o ex-ministro José Ramos Temporão, o secretário sindical Joílson Cardoso, o deputado federal Glauber Rocha (RJ) e o ex-deputado Vivaldo Barbosa lançaram um manifesto contra. A ideia desagradava também diretórios como o do Maranhão, Bahia e Paraíba. Como a fusão permite a saída de descontentes, existia uma preocupação de que a decisão poderia causar uma debandada de políticos com mandato.

Mas foi a resistência do PSB de Pernambuco — capitaneada por nomes ligados ao ex-governador Eduardo Campos, como o governador Paulo Câmara e o prefeito de Recife, Geraldo Júlio — que estancou a proposta. A família de Campos teria participado da pressão contra a união. Os defensores da fusão lembram que Campos, morto em um acidente aéreo em agosto do ano passado, estudava a fusão entre os partidos. Campos, ao lado do avô Miguel Arraes, se tornou uma figura importante no imaginário pessebista.

A ascensão de novos líderes na estrutura de poder do PSB seria um dos motivos para evitar a fusão. O outro foi o temor de que o partido ficasse atrelado demais ao PSDB e, especialmente, ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que pretende disputar a Presidência novamente em 2018. Como França é seu vice, ele assumiria o cargo nos últimos meses da gestão. Um acordo permitiria que ele se tornasse candidato à reeleição com o apoio do atual governador, desde que o PSB e o PPS o apoiassem no sonho presidencial.

Alckmin já agradou líderes de partidos aliados. Na escolha do secretariado, selecionou nomes que permitiram que dois presidentes nacionais de legendas pudessem assumir cadeiras na Câmara dos Deputados sem terem sido eleitos. Assim como Freire, o presidente nacional do PV, José Luiz Penna, era suplente, e foi alçado à Câmara depois da nomeação do titular do mandato para um cargo no primeiro escalão. Os dois partidos são historicamente próximos aos tucanos na política paulista.
Alckmin também é apontado como um dos articuladores da ida da ex-prefeita Marta Suplicy para o PSB. Sem espaço no PT para disputar a sucessão do prefeito paulistano Fernando Haddad, a senadora buscava um partido para viabilizar sua candidatura.

França e Erundina têm posições opostas principalmente quando o assunto é a relação com o PSDB. A deputada era uma defensora da candidatura própria ao governo paulista e contava inclusive com o apoio da candidata a vice e depois presidenciável Marina Silva para sua tese. As duas defendiam que não fazia sentido falar em ser uma opção à “falsa polarização entre PT e PSDB” no nível nacional e se aliar aos tucanos no principal estado do país. No final, França fez valer sua vontade e acabou premiado pelo governador com a indicação para ser vice na chapa. Ele contava com o apoio da executiva estadual e dos prefeitos eleitos pelo PSB de cidades importantes do interior, como Campinas e São José do Rio Preto.
Além das divergências com França, Erundina já deixou claras as suas diferenças com Marta, tanto em momentos em que ambas se enfrentaram nas urnas como ao comentar sobre a possibilidade de as duas voltarem a ser colegas de partido. Assim como Marta, a deputada administrou a capital paulista quando era filiada ao PT. Ela tem colaborado com o movimento formado por dissidentes da Rede, o Raiz Cidadanista

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