Marta Suplicy sinaliza que está entre dois partidos: o PSB e o PMDB

De olho na disputa municipal na capital paulista em 2016, senadora afirma que negociações com os socialistas estão mais avançadas

Por bruno.dutra

São Paulo - A senadora Marta Suplicy (sem partido-SP) se reuniu ontem com o vice-presidente Michel Temer e confirmou que mantém conversas não só com o PSB, mas também com o PMDB, para decidir qual será seu futuro político. Ela admitiu que as conversas com os pessebistas estão mais avançadas, mas prefere ainda não anunciar sua decisão final. Marta deixou o PT em abril, depois de aumentar as críticas aos antigos colegas de partido e ao governo federal desde dezembro do ano passado, quando deixou o comando do Ministério da Cultura.

O PSB chegou inclusive a anunciar uma possível data de filiação da parlamentar, o dia 14 de agosto. A ideia do partido é fazer um ato político na periferia da capital paulista, com a presença de diversos líderes partidários. A região é considerada um dos principais redutos eleitorais da ex-petista. Existe dentro do partido uma expectativa que Renata Campos — viúva do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em agosto do ano passado, quando disputava a eleição presidencial — esteja entre os nomes presentes à cerimônia de filiação.

Líderes do PSB veem o diálogo de Marta com o PMDB como “algo normal”, principalmente em razão das pretensões eleitorais dela para o ano que vem.

Uma das principais razões para o rompimento de Marta com o PT, no entanto, é o sonho dela de voltar a disputar a Prefeitura de São Paulo. Aos 70 anos, a senadora foi preterida pelo partido nas duas últimas eleições, quando pretendia disputar o comando da capital paulista e do Estado. Um dos motivos foi a elevada rejeição da parlamentar, além do crescente isolamento dela dentro do partido. Entre os petistas, o casamento da ex-prefeita com o empresário e ex-presidente do Jockey Márcio Toledo é apontado como um dos motivos para a deterioração da relação dela com o partido.

No ano que vem, o prefeito Fernando Haddad (PT) deve disputar a reeleição, o que significa que Marta seria escanteada mais uma vez dentro do partido. Segundo sondagens pré-eleitorais, o nome dela aparece no segundo lugar nas intenções de voto para o ano que vem, atrás apenas do deputado federal e apresentador de TV Celso Russomanno (PRB). Haddad fica na terceira posição, seguido pelos nomes especulados pelo PSDB para entrar na disputa.

O PMDB chegou a ser apontado como a primeira opção de Marta quando as especulações sobre sua saída do PT tiveram início. Os petistas reagiram, no entanto, e Haddad convidou o ex-deputado Gabriel Chalita, que já o havia apoiado no segundo turno da eleição de 2012, para ser seu secretário de Educação. O PMDB nacional tem outros nomes no primeiro escalão da gestão do petista, como o procurador Roberto Porto e as secretárias da Pessoa com Deficiência, Marianne Pinotti, e de Desenvolvimento Social, Luciana Temer, filha do vice-presidente.

A articulação para levar Marta para o PSB passou pelas mãos do secretário da Casa Civil do governador Geraldo Alckmin (PSDB), Edson Aparecido, e do vice-governador Márcio França, presidente estadual do PSB. Aparecido é amigo de Toledo desde a época em que faziam parte do movimento estudantil, no final dos anos 1970. Após ter rompido com o PT, Marta tem sido vista com alguma constância junto a tucanos paulistas como Alckmin e os senadores Aloysio Nunes e José Serra.

Além de seu futuro partidário, a senadora discutiu com Temer, na audiência no gabinete da Vice-Presidência da República, sobre assuntos em debate no Legislativo. “Nós conversamos não só sobre isso, gente. Conversamos sobre a conjuntura nacional, sobre projetos no Senado, sobre a desoneração, a nova proposta que vai ser feita no Senado”, afirmou. Temer é atualmente o principal articulador político do governo da presidenta Dilma Rousseff.

Na saída da reunião, a senadora afirmou também que não vê motivos jurídicos atualmente para falar sobre um processo de impeachment contra a presidenta. “A parte do TCU (Tribunal de Contas da União, que apura as pedaladas fiscais) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral, onde o PSDB apresentou ação para apurar abuso de poder econômico e político contra a campanha petista) que poderemos ter, mas por enquanto, não”, disse. Indagado após o encontro se estava com dificuldades para levar Marta Suplicy para o PMDB, o vice-presidente sorriu e respondeu: “É só amizade”.

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