O silêncio dos inocentes

Em entrevista ontem, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que “a operação em Gaza está em andamento e os ataques só devem parar quando a segurança e a tranquilidade forem devolvidas aos cidadãos israelenses”.

Por bruno.dutra

Ele disse também que não tem “nenhuma intenção de prejudicar os moradores de Gaza” e ressaltou, mais um vez, que “é o Hamas que está prejudicando a população e tentando impedi-la de receber ajuda humanitária”. Como se vê, a guerra descrita por Netanyahu é bem diferente da que se tem notícia pela TV e pelos jornais. É uma guerra legítima que tenta proteger Israel de seus agressores e vai durar o tempo que for necessário. E caso o Hamas não sabotasse os esforços, os milhares de palestinos feridos estariam recebendo o devido tratamento no leito de hospitais. Se acreditar na própria versão, Netanyahu acaba se candidatando ao Prêmio Nobel da Paz.

Israelenses e comunidades judaicas defendem o direito de Israel atacar o braço armado do Hamas. Lembram o passado de resistência histórica e dizem que é terrível viver sob a ameaça de terrorismo. Concordam que a invasão da Faixa de Gaza se faz necessária para destruir os túneis que dariam passagem a comandos do Hamas, que atacariam colonos e suas famílias.

Também apontam a existência de lança-foguetes que poderiam atingir Tel Aviv, não fosse o eficiente escudo antiaéreo. O Estado de Israel, segundo as centenas de pessoas que desfilaram no domingo em Copacabana, só está se protegendo de seus inimigos. “Há muitos anos sofremos com o terrorismo, Não somos contra a Palestina, mas, sim, contra o Hamas”, afirmou o presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, Jayme Salomão.

É louvável a preocupação da Fierj em esclarecer a opinião pública e assim impedir que se repitam no Brasil as manifestações antissemitas que ocorrem em países da Europa. Mas é muito difícil evitar que não se levantem vozes nos vários cantos do mundo contra a matança indiscriminada de palestinos na Faixa de Gaza. Em menos de uma semana, duas escolas administradas pela ONU, que hoje abrigam refugiados, foram bombardeadas por forças israelenses.

No domingo, em meio ao que deveria ser uma trégua, dez pessoas morreram e 30 ficaram feridas. O balanço dos ataques de Israel é impressionante: cerca de 1800 mortos, dos quais 80% são civis. Segundo dados da ONU, há 300 crianças mortas. “Essa loucura deve parar. É um ultraje moral e um ato criminoso, uma violação grosseira da lei internacional”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Até mesmo o governo dos Estados Unidos, aliado de Israel em todas as horas, emitiu nota em que se disse “revoltado com o bombardeio vergonhoso”.

Nada justifica a morte de inocentes. As imagens de destruição são muito fortes. Bairros inteiros da Faixa de Gaza foram arrasados. O número de refugiados palestinos sobe a 460 mil. Do lado israelense, são 64 soldados mortos em combate e três civis. Trata-se, sem dúvida, de uma guerra desigual em que as perdas se concentram de um lado. É hora de os homens e mulheres de boa fé se unirem e pressionarem pelo cessar-fogo definitivo. Se Israel tem o direito de viver em paz, os palestinos também têm.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia