Por bruno.dutra

Admitiu que houve impacto sobre o Brasil e ressaltou que o desafio de recuperação econômica global é o maior desde a Grande Depressão americana na década de 30. “A economia mundial passa por dificuldades. Mas estamos acima da média de crescimento dos últimos sete anos”, explicou. Em sua opinião, o Brasil foi bem até 2010. Mas, a partir daí, “os efeitos da recessão global reduziram o ritmo de crescimento da economia brasileira”. A repercussão, porém, não foi forte a ponto de desorganizar o processo produtivo do país. “Estamos sobrevivendo à crise com grande capacidade de resposta”, ressaltou o titular do MDIC, para a plateia do congresso promovido pelo Instituto Aço Brasil (IABr).

Se a crise bateu no fundo do poço, só o futuro dirá. De 2009 para cá, já houve diagnósticos semelhantes, mas todos se frustraram. Até mesmo a China, que funcionava como locomotiva do mundo aquecendo o mercado de commodities, perdeu o fôlego com taxas de crescimento modestas para o seu padrão. Hoje, as esperanças estão depositadas na evolução surpreendente da economia dos Estados Unidos. Mas sem muita convicção, já que a estatísticas sobre produção e emprego oscilam a cada semana.

Tanto assim que o Federal Reserve, embora tenha cortado os estímulos monetários, ainda tem sérias dúvidas sobre o momento ideal para iniciar a alta das taxas de juros. Por enquanto, a presidente do FED, Janet Yellen, mantém-se em compasso de espera. Prefere aguardar fatos mais conclusivos.

Há que elogiar, porém, a ousadia de Mauro Borges ao apontar para o fim da crise. E mais ainda sua sinceridade ao reconhecer que a economia brasileira foi atingida pelo ambiente externo adverso. O ministro não engrossa o coro dos contentes que costuma ser ouvido em Brasília. Ao contrário. Após apontar os esforços oficiais para aquecer a demanda, referiu-se aos problemas que o setor industrial enfrenta, como o alto custo da energia, os tributos cumulativos e a legislação trabalhista anacrônica. Fez questão também de assumir compromisso com a desoneração tributária e os programas de modernização da indústria.

É bom saber que alguém no governo reconhece que existem fragilidades na economia. Afinal, só será possível atacar os gargalos do crescimento após admitir a existência dos obstáculos. Por mais que Guido Mantega e Alexandre Tombini tracem cenários róseos, o ceticismo dos técnicos do mercado financeiro não para de aumentar. Na última pesquisa Focus, a previsão para o PIB em 2014 recuou pela 11ª semana seguida. A estimativa agora é de apenas 0,81%. Também foi refeita a previsão para 2015, 1,5% para 1,2%.

Diante da expectativa negativa, o jornal britânico “Financial Times” encontrou motivo para fazer pilhéria. Comparou as perspectivas de crescimento da economia brasileira à “dança da cordinha”, que consiste em passar por baixo de uma corda esticada que fica mais perto do chão a cada rodada.

O FT destaca, porém, que o mau desempenho da economia parece não afetar o ânimo dos eleitores, pois a aprovação do governo Dilma Rousseff subiu de 31% para 32% em agosto. É verdade. Mas o comitê que trabalha pela releição devia cruzar os dedos e torcer para que a crise, de fato, tenha batido no fundo do poço.

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