Entrega de cestas básicas em Cabo Frio  - Instituto Fome de Pão, Sede de Deus
Entrega de cestas básicas em Cabo Frio Instituto Fome de Pão, Sede de Deus
Por Juarez Volotão
Cabo Frio - A vida de todos mudou completamente com a pandemia do coronavírus. A Covid-19 chegou abruptamente, pegando o mundo de surpresa e nos fez rever os nossos conceitos, frear as nossas vidas (a força), repensar o nosso eu, enxergar mais o próximo, nos fazendo mais solidários, atrasar alguns sonhos, postergar e eliminar projetos e recomeçar, muitos sem saber como ou para onde, e com a ajuda de muitos que nem conhecíamos. As desigualdades sociais no país, e por aqui em Cabo Frio, nunca ficaram tão a mostra. Uma cidade turística, dependente dos royalties, que não se preparou para o pior, e que já amargava uma 'crise' financeira de outrora, se viu no meio do furacão da doença, sem uma saúde estruturada (com problemas clássicos e antigos), com um alto índice de desemprego - que piorou com o fechamento do comércio e com a pandemia - e com seu maior empregador, a Prefeitura da cidade, acumulando atrasos nos salários, inclusive dos aposentados e pensionistas (grupo de risco) do município. Uma mistura infelizmente 'perfeita' para o caos, desespero e fome de muitas famílias, se não fosse a solidariedade e o arregaçar das mangas de muitos cabo-frienses voluntários em ajuda e socorro a outros. 
O casal Elisangela e Diego Dias é a prova viva desse ato de amor e empatia pelo próximo. Juntos, através do 'Instituto Fome de Pão, Sede de Deus', projeto social que encabeçam há décadas, entregaram 4.067 cestas básicas, somente nesse período de pandemia: 'Estamos atendendo famílias não só de Cabo Frio, mas também da Região dos Lagos. Levamos alimentos, mas também móveis, colchões, roupas, tudo que recebemos de doações. Recebemos apoio de empresas e instituições até de Brasília. O poder público não tem feito nada e o povo está revoltado com essa omissão e abandono, mesmo com dinheiro e recurso para fazer', afirmam eles. 
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Atendendo normalmente cerca de 200 famílias mensalmente com cestas básicas, mantendo um asilo com 22 idosos e ainda distribuindo enxovais para mamães carentes terem seus filhos, a Paróquia de Nossa Senhora da Assunção em Cabo Frio viu a quantidade de pessoas e famílias necessitadas subir consideravelmente, criando então uma ação específica intitulada, 'Deus ama quem dá com alegria', para o período da pandemia, onde já entregaram 4.550 cestas básicas, de abril a julho, atendendo principalmente as comunidades de Cabo Frio. ' Em nossa paróquia temos muitas pessoas que trabalham na praia, catam latinhas e papelão. Outros que são autônomos e viram seus pequenos negócios desmoronar. Com o fechamento do comércio, muitos ainda perderam seus empregos. Eles precisam da nossa ajuda', conta o Padre Marcelo Chelles, pároco da igreja. 
Falando em poder público, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos e da Mulher (Sedesdim) de Cabo Frio, antiga Secretaria de Assistência Social, cerca de 187 cestas básicas foram entregues em julho no município, sendo um total de 800 cestas e famílias de baixa renda atendidas desde o início da entrega pela Prefeitura. 
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O Pastor Ezequiel Pereira nos conta que entregou mais de 100 cestas básicas em bairros carentes e comunidades de Cabo Frio, desde o início da quarentena e da pandemia do novo coronavírus: 'Cheguei em casas levando a cesta onde famílias não tinham nada para comer. Armários vazios, geladeiras com apenas água. Se não fosse os voluntários, a maioria do povo estava passando fome, isso mexe muito comigo', declara. 
Igrejas, entidades, empresas, projetos sociais e pessoas voluntárias que juntas, se colocaram no lugar do outro, se preocuparam além da comodidade de suas casas e famílias, que não esperaram apenas pelo poder público, mas encabeçaram uma verdadeira corrente do bem, numa teia de solidariedade, jamais vista em Cabo Frio, e que, mesmo em tempos tão difíceis, sombrios e incertos como esses da Covid-19, nos prova que pelo menos para uma coisa essa doença serviu, para nos unir como gente e nos tornar seres mais humanos. 
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