Ambulantes manifestam em frente a Câmara Municipal de Cabo Frio pela volta ao trabalho, após 6 meses parados  - Imagem de internet
Ambulantes manifestam em frente a Câmara Municipal de Cabo Frio pela volta ao trabalho, após 6 meses parados Imagem de internet
Por Juarez Volotão
Cabo Frio - Prestes a completar seis meses sem trabalhar, com as praias fechadas, sendo os primeiros a obedecerem os decretos municipais e a quarentena imposta pela Prefeitura, e até hoje os mais prejudicados, com a maioria tendo sequer recebido uma cesta básica da Assistência Social neste período, a saga envolvendo os ambulantes, barraqueiros e camelôs de Cabo Frio e o Prefeito da cidade, Dr. Adriano, na luta pelo direito de voltar a trabalhar continua. 
Após várias manifestações e reivindicações, na abandonada praça das águas na Praia do Forte, ao prédio da Prefeitura de Cabo Frio, da ponte Feliciano Sodré paralisando tudo por algumas ocasiões à Câmara Municipal da cidade, os trabalhadores informais das praias do município que somam mais de 10 mil pessoas, conseguiram a aprovação dos Vereadores, por unanimidade, nesta segunda-feira (31) em sessão extraordinária, de uma indicação ao Poder Executivo, para que eles possam voltar a trabalhar a partir desta terça-feira (01) até o feriado da Independência no dia 7 de setembro. 
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Após a vitória na Câmara dos Vereadores, apesar da indicação configurar apenas sugestão ao Executivo, mais um documento com pedidos, solicitações e reivindicações da categoria foi entregue à Prefeitura que informou que encaminharia ao Ministério Público. Logo em seguida, mais um banho de água fria no restinho de esperança dos trabalhadores da praia que movimentam a economia da cidade, o Prefeito mandou dizer que não liberaria e vetou a indicação da Câmara. 
'Dr. Adriano, Prefeito de Cabo Frio não nos atendeu. Ele mandou recado avisando que não vai flexibilizar nada. Insiste em tirar de nós a dignidade do nosso trabalho, apesar de muitas tentativas', nos informa o Luciano Mello, presidente do Sindicato dos Ambulantes. 
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Manifestação dos ambulantes e barraqueiros em frente a casa do Prefeito na manhã desta terça-feira, 1 de setembro - Manifestantes
Segundo o secretário da Associação dos Barraqueiros da Praia do Forte, Uanderson Pitanga, eles começaram as negociações há meses com a Secretaria de Turismo, com a Postura, tentando chegar em um consenso e buscando políticas públicas que pudessem ajudá-los enquanto estivessem parados, até mesmo com uma mísera cesta básica, que a maioria nem recebeu, e não foram atendidos, tendo a Prefeitura sempre dito não: 'Estamos nessa luta há 2 meses. Assim que reabriram o comércio da cidade, já sentimos um certo preconceito, parecia que o Governo queria uma abertura gradativa, mas fomos percebendo que a atual administração está voltada aos setores do poder e do dinheiro. Estamos no estado crítico, desanimados e sem saber o que fazer', afirma. 
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Mais manifestações, dessa vez mais fervorosas, estão previstas e segundo um ambulante, que preferiu não se identificar, a cidade entrará em colapso, e muitos deles irão trabalhar a força, 'caindo para dentro, com decreto ou sem decreto', sendo obrigados a desrespeitar os decretos municipais, já que precisam comer, pagar as contas e sobreviver. 'Tentamos pelo bem, pela ordem, mas o Dr. Adriano não nos quer na praia. Nem ele, nem esses empresários que se sentem donos do Turismo e donos de Cabo Frio. Nos tratam como lixos e um nada, enquanto há anos movimentamos essas praias no sol quente, atendendo os turistas e visitantes. Isso não é justo, só queremos e precisamos trabalhar e levar o nosso pão para casa', desabafa um dos 10 mil guerreiros dependentes desse retorno digno as praias da cidade. 
Logo na manhã desta terça-feira (01) um grupo com dezenas de manifestantes representando os ambulantes, barraqueiros e camelôs das praias de Cabo Frio foram para frente da casa do Dr. Adriano acordá-lo ao som de 'Adriano, covarde' com faixas que diziam 'Precisamos trabalhar já Prefeito. Estamos passando fome' na tentativa de reverter a decisão do poder executivo que insiste em não permitir a volta deles ao trabalho e não apresenta nenhuma solução que possa ajudá-los nesse momento de pandemia.