Autoridades campistas ameaçam de prisão quem desrespeitar quarentena

Prefeito, promotores, médicos e delegado reagem a aglomeração estimulada por Bolsonaro, que quer reabertura de escolas e comércio

Por Leonardo Maia

O prefeito de Campos, Rafael Diniz (de camisa azul-claro à esquerda), e demais autoridades municipais destacam importância de as pessoas permanecerem em suas casas durante o surto do coronavírus
O prefeito de Campos, Rafael Diniz (de camisa azul-claro à esquerda), e demais autoridades municipais destacam importância de as pessoas permanecerem em suas casas durante o surto do coronavírus -
Campos — Estimulados pelo pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na terça-feira, que pedia o fim do isolamento social e a reabertura de escolas e comércio, um grupo de cerca de 50 pessoas se aglomerou em apoio ao chefe do executivo nacional e para cobrar o fim da quarentena. Em resposta, as autoridades campistas se reuniram para anunciar a manutenção de tais medidas de contenção e prevenção à pandemia do novo coronavírus e alertar que aqueles que a desrespeitarem poderão ser presos.
“Este é um movimento conjunto das autoridades que entendem que o momento é de união, de preservação de vidas. Os decretos continuam em vigência até o dia 5 de abril que foi o prazo estabelecido por autoridades de saúde para controlar a situação”, disse o prefeito Rafael Diniz. “A situação econômica preocupa a todos, mas precisamos preservar vidas”.
Falaram à imprensa, reunidos, além de Diniz, os promotores de Justiça Marcelo Lessa e Fabiano Rangel; o delegado da 146ªDP de Guarus, Pedro Emílio Braga; e o coordenador de Campos do Conselho Regional de Medicina (Cremerj), Dr. Rogério Bicalho.
Lessa se mostrou perplexo diante da manifestação realizada na manhã desta sexta com a aglomeração de cerca de 50 pessoas. "O que querem, contar corpos? As medidas de isolamento social são justamente para evitar que o vírus se espalhe entre as pessoas”.
Campos tem, até o momento, apenas um caso confirmado da doença e esse é o objetivo das medidas adotadas, controlar, frear essa situação que o mundo vem enfrentando", ressaltou o promotor.
Braga frisou que há decretos em vigor proibindo o funcionamento do comércio, shoppings, bares e restaurantes. Os estabelecimentos que desrespeitarem as medidas podem ser autuados por descumprimento de medidas sanitárias preventivas.
“Aglomerações como a que ocorreu hoje estão proibidas conforme decretos municipal, estadual e federal. Condutas como essa configuram crime”, alertou o delegado. “Aqueles que incitam tal comportamento podem responder por apologia ao crime. Vamos adotar todas as medidas necessárias”.
Médico, Bicalho também mostrou-se preocupado com a possibilidade de as pessoas não respeitarem o isolamento social exigido para a mitigação dos efeitos da epidemia do covid-19.
“Se o quadro desenhado se confirmar para o Brasil, se não houver um freio, o sistema de saúde não vai suportar. Vai entrar em colapso”, previu Bicalho. “O município tem apenas um caso confirmado e 13 suspeitos. A cidade por enquanto está blindada, se compararmos às capitais. Queremos que fique assim. Fiquem em casa”.

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