A crise do preço do barril de petróleo no mercado internacional se agravou com a pandemia do coronavírus - Reprodução internet
A crise do preço do barril de petróleo no mercado internacional se agravou com a pandemia do coronavírusReprodução internet
Por O Dia
Campos — Pela segunda vez consecutiva, Campos bate mais uma recorde negativo na arrecadação da Participação Especial (PE, bônus dos royalties pago pela produtividade dos poços petróleo). Nesta quarta, o município recebe pouco mais de R$ 1,1 milhão, uma redução de 81% na comparação com o pago no trimestre anterior, cerca de R$ 5,9 milhões. Ao se olhar o mesmo trimestre do ano passado, o choque é ainda maior: R$ 32 milhões, 96,5% a menos. Ao se considerar os primeiros quatro meses deste ano e os do ano anterior, as perdas acumuladas já batem os R$ 130 milhões.

O R$ 1,1 milhão recebido este mês é o menor valor da história da cidade, que já chegou a receber da União R$ 189 milhões num único mês de Participação Especial, em fevereiro de 2013, 170 vezes maior do que o depositado hoje. Números que dão a dimensão da crise dos cofres municipais, que tinham no repasse das indenizações pela exploração do óleo na Bacia de Campos a sua principal fonte de renda.

“O dinheiro acabou”, decreta o prefeito Rafael Diniz. “A gente vem passando por sucessivas quedas nas receitas dos royalties. E a tendência daqui para frente é essa. “Por isso falamos, desde o início do nosso governo, sobre a necessidade de reduzirmos o custeio, reduzirmos a folha”.

De fato, a crise tem se refletido em cortes de pessoal e atraso nos pagamentos de terceirizados e RPAs. Os repasses a hospitais filantrópicos também foram infrequentes, o que provocou questionamentos e mobilizações de médicos e enfermeiros.

“Venho tomando medidas de austeridade desde o início do mandato, que muitas vezes causam insatisfação. Estamos adaptando a cidade a uma nova realidade financeira. Quem não entender que Campos não tem mais o dinheiro de antes, vive uma ilusão”, argumenta Diniz.

O diretor de Petróleo e Gás da Superintendência de Ciência, Tecnologia e Inovação de Campos, Diogo Manhães, explica que, além da queda gradual dos últimos anos, o valor da Participação Especial arrecadado este mês já reflete o impacto do cenário atual, de crise do preço do petróleo no mercado internacional, excesso de oferta por causa da pandemia do coronavírus, e a redução de produção programada pela Petrobras, com a hibernação de algumas plataformas.

“Tudo isso tende a gerar receitas de PE quase nulas”, aponta Manhães.