Redes sociais se voltam contra o PSL

Mudança na reforma que ameniza regras para policiais da União gerou revolta na internet

Por Chico Alves

Base de apoio do governo Bolsonaro conseguiu 71 votos a mais do que o necessário para aprovar PEC 6
Base de apoio do governo Bolsonaro conseguiu 71 votos a mais do que o necessário para aprovar PEC 6 -

Partido que tem em seus quadros grande parte dos deputados eleitos graças à onda bolsonarista que inundou as redes sociais, o PSL comprova nessa sexta-feira a lei da natureza segundo a qual toda a maré que vai, volta. Depois de ajudar a amenizar as regras para policiais da União na Reforma da Previdência, na noite de ontem, parlamentares da legenda do presidente Jair Bolsonaro são alvo de uma saraivada de críticas na internet. Uma das hashtags que chegou ao topo da lista dos assuntos mais comentados no Twitter é #PSLTraidor.

Um passeio pelos perfis dos deputados do partido mostra o tamanho da revolta de pessoas que se dizem seus eleitores, gente enfurecida com a mudança feita ao apagar das luzes do primeiro turno de votação dos destaques da reforma. Principais referências dessas reclamações, as deputadas Joice Hasselmann e Carla Zambelli, ambas do PSL de São Paulo, tentaram explicar que seguiam a orientação da própria equipe econômica de Paulo Guedes. De nada adiantou. Provocada, Joice chegou a chamar de "anta" um seguidor que insistiu na crítica às mudanças na reforma.

Sobrou até para o presidente. Bolsonaro bem que tentou tratar de assuntos diferentes em seus tuítes, mas os internautas inundaram seu perfil de comentários indignados com o que alguns chamam de corporativismo. "Senhor presidente, se o Sr quiser continuar sendo respeitado pelo povo brasileiro, pare de agir a favor de corporações. Não era o Brasil acima de tudo?", questiona uma seguidora.

O dilema de Bolsonaro e dos deputados do PSL é quase insolúvel. Se amenizam as regras para os policiais da União, deixam insatisfeitas as outras categorias, inclusive policiais militares, civis e bombeiros que também são de sua base eleitoral e não foram contemplados. Se somam, assim, a todos aqueles que naturalmente já são contrários às mudanças nas regras de aposentadoria.
Se mantivessem as mesmas condições para todos na reforma (à exceção das Forças Armadas), certamente veriam crescer pelo país o movimento de policiais de várias esferas a chamar o presidente de traidor, como ocorreu em Brasília, há poucos dias.

Esse tipo de equação não é novidade na política. Praticamente todas as decisões do Executivo e do Legislativo agradam uns e desagradam outros. O elemento novo é a agressividade das redes sociais, com que o governo e seus aliados costumam se divertir quando voltada para a oposição. Hoje, a maré mudou. São eles que tentam furar as ondas de críticas para tentar sair ilesos do outro lado.

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