Reforma da Previdência: entre a convicção e o 'toma lá dá cá'

Ministro espera que segundo turno da votação das mudanças na Previdência aconteça amanhã. Oposição diz que a base espera liberação de emendas

Por Chico Alves

Governo espera que segundo turno de votação na Câmara ocorra amanhã
Governo espera que segundo turno de votação na Câmara ocorra amanhã -
De volta do recesso, a Câmara dos Deputados está fervilhando com a expectativa de caminhar para a votação em segundo turno do projeto de Reforma da Previdência. Depois de uma reunião com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, previu que até à noite de quarta-feira o objetivo será alcançado (veja aqui). Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) confirma que essa é a meta. "Nossa expectativa é votar nessa terça-feira o texto, para amanhã votarmos os destaques", explicou ele à coluna. "Provavelmente nenhum dos destaques será aprovado".

Nos corredores da Câmara, porém, comenta-se que, para que a votação ocorra como o governo espera, alguns deputados que prometeram apoio à proposta esperam a liberação das emendas pelo Executivo. Por sua vez, o governo estaria esperando ter o resultado na mão para cumprir sua parte no acordo.

"É uma desconfiança recíproca", revelou à coluna o deputado Paulo Ramos (PDT-RJ). "O governo não confia na sua base e a base não confia no governo, porque não acontece a liberação do pagamento das emendas". Segundo o pedetista, o comentário entre os deputados é que se chegou ao impasse para ver "quem dá primeiro" ou " quem entrega primeiro a sua fatura". O fato de a sessão marcada para a segunda-feira não ter alcançado o quórum previsto seria um recado dos parlamentares da base ao ministro Onyx e cia.

A hipótese improvável de o governo não honrar a liberação das emendas prometidas é, na opinião de parlamentares de oposição, a única chance de a proposta governista sofrer algum revés. Fora isso, a possibilidade de reversão de qualquer dispositivo aprovado em primeiro turno é muito difícil. Não se notou durante o recesso nenhum movimento significativo de pressão contra a reforma.

Se a versão da troca de faturas entre governo e a base estiver correta, o que falta para a Reforma da Previdência andar na Câmara é apenas a conclusão de mais uma operação conhecida pelo Brasil inteiro como "toma lá dá cá". Aquela mesma prática tradicional que os políticos dessa legislatura prometeram abolir.
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