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Thiago Gomide - thigomide@gmail.com

Campo Grande completa 416 anos

No aniversário do bairro mais populoso do Rio de Janeiro, a coluna relembra a história de um importante morador

Por Thiago Gomide

Igreja Nossa Senhora do Desterro: o bairro se desenvolveu ao redor dela
Igreja Nossa Senhora do Desterro: o bairro se desenvolveu ao redor dela -
O médico e naturalista botânico Francisco Freire Alemão nasceu em Campo Grande. O calendário marcava 24 de julho de 1797.

Mais um garoto filho de lavradores. Mais um garoto pobre. Mais um garoto que tinha tudo para se dedicar a uma atividade rural. Mais um garoto a perder o pai cedo, aos 13 anos.

Como centro religioso de Campo Grande havia a Igreja Nossa Senhora do Desterro, presente até os dias atuais. O tempo e as intempéries, tal qual um incêndio em 1882, fizeram com que o templo ganhasse novas formas e novas cores, mas está lá a pedra estrutural.

No catolicismo, o pequeno Freire Alemão encontrou morada durante anos. Aproveitou a sacristia não só para o contato com a fé, mas também para desenvolver duas sabedorias revolucionárias: ler e escrever.

Isso no começo do século XIX abriu portas e mais portas, propiciando que o já não tão garoto assim encontrasse suas paixões: a medicina e os estudos da natureza.

O Brasil ficou pequeno. Foi para Paris a bordo de um navio de guerra. De Campo Grande para os corredores das universidades mais renomadas da França.

Tudo com bolsa de estudos, évidemment.

O escritor Nelson Rodrigues defendia a tese que sem sorte não se pode nem tomar um sorvete.

Talento o rapaz tinha. Determinação nem se diga. Em 1831, já estava diplomado no exterior. No ano seguinte, já em terras nacionais, trabalhava com medicina, botânica e zoologia.

Muitos doentes iam ao encontro de Freire Alemão. Pobres, ricos, anônimos e até Dom Pedro II.

Em um período onde médico era coisa rara (em alguns lugares do Brasil ainda é), a fama do ilustre filho de Campo Grande só foi crescendo.

Tratando do Imperador e contando com a proximidade, Freire Alemão estimulou o olhar governamental para os estudos dos elementos da natureza, envolvendo todo o país. O desmatamento também foi pauta.

Milhares de plantas foram catalogadas por ele, permitindo que estudiosos se debruçassem sobre os benefícios e particularidades de cada uma. As consequências positivas são imensuráveis.

Por falar no destruído Museu Nacional (absurdo!), em 1866 Freire Alemão foi nomeado diretor. Saiu em 1870, já debilitado.

Podendo escolher o canto que iria atravessar seus últimos anos de vida, Francisco Freire Alemão não teve dúvidas: voltou para a casa herdada de seus pais, em Campo Grande.

Ele falece em 1874 e é considerado por muitos pesquisadores o maior botânico brasileiro do século XIX.

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Aniversário
Campo Grande completou 416 anos no dia 17 de novembro. 
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Monumento
No bairro, há um monumento em homenagem ao botânico. 
Como tantas, infelizmente, já foi inúmeras vezes depredada. 
É aquela máxima: povo que não conhece sua história, não protege. 
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Laranjal
Calma. Estou só falando de um monumento lembrando a época de ouro da região. Campo Grande era uma das grandes exportadoras de laranjas do país. 
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Outras personalidades de Campo Grande
Talento não falta por aqui. 
Sabe quem é de Campo Grande? As cantoras Nilze Carvalho e Michelle Nascimento, o músico Marcelo Yuka ( escreveu e falou muito sobre o bairro) e o impagável Zé Bonitinho, além do zagueiro Thiago Silva. 
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Faltou um monte de informações

É verdade. Francisco Freire Alemão não merece uma biografia. Ele merece uma coletânea.

Quer saber mais? Leia “Diário de Viagem”, em que ele conta os desafios e conquistas da viagem ao Ceará.
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Editor 24 horas
Agradeço ao jornalista e editor 24 horas Jorge Melo, que me avisou sobre uma troca de datas. 
 
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