Os jovens no mercado de trabalho melhoraram sua renda, mas os desafios profissionais continuamPaulo Pinto/Agência Brasil
O jovem que estudou para entrar no futuro
A juventude está mais escolarizada, empregada e com renda maior, mas precisa se preparar para um mercado de trabalho em constante transformação.
Um jovem abre o computador ajeita o fone de ouvido, procura uma vaga de emprego e se pergunta se aquilo que aprendeu na escola será suficiente para entrar pela porta do mercado de trabalho.
Durante muito tempo, essa porta pareceu estreita demais. Mas dados do IBGE e do FGV Ibre apontam que os jovens de 18 a 29 anos vêm experimentando melhora na renda e no emprego. No segundo trimestre de 2026, a renda média do jovem trabalhador chegou a R$ 2.593 — o maior patamar da série histórica. Em 2012, ela estava em torno de R$ 2,3 mil, em valores corrigidos. O desemprego também caiu. Entre os jovens de 18 a 29 anos, a taxa chegou a 9,2%, a menor da série iniciada em 2012.
Ainda é uma taxa elevada e permanece acima da observada entre trabalhadores de outras faixas etárias. Mas existe um ingrediente importante nessa história: a educação. Em pouco mais de uma década, aumentou significativamente a parcela dos jovens com ensino superior completo. Ao mesmo tempo, caiu a proporção daqueles que não concluíram sequer o ensino fundamental. Uma geração entendeu que, para disputar as melhores oportunidades, não basta chegar primeiro — é preciso chegar preparado.
O mercado de trabalho, contudo, não espera; muda a cada dia. Enquanto os jovens avançam na escolaridade, a inteligência artificial chega às empresas, modificando tarefas, eliminando algumas funções e criando outras. O profissional que entra hoje no mercado já não encontra o mesmo ambiente que existia quando seus pais começaram a trabalhar. Não basta mais aprender uma profissão e acreditar que ela permanecerá igual por décadas. Será preciso continuar aprendendo, desenvolvendo novas habilidades e entendendo tecnologias que, até pouco tempo, pareciam ficção científica.
Por isso a discussão sobre juventude e emprego não pode ficar restrita ao número de vagas abertas. É preciso falar sobre escola, qualificação profissional, ensino técnico, universidade, estágio, aprendizagem e acesso às novas tecnologias. O caminho passa por políticas de primeiro emprego, aprendizagem profissional, estágios e formação continuada. Passa também por uma escola capaz de ensinar não apenas conteúdos, mas de aprender continuamente.
Que os empregos continuem avançando, assim como o número de trabalhadores capacitados para ocupá-los. Eis o grande desafio: não preparar os jovens para o mercado de trabalho que conhecemos, mas para aquele que ainda está chegando.

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