Pedro Cardoso  - Reprodução / TV Cultura
Pedro Cardoso Reprodução / TV Cultura
Por O Dia
Pedro Cardoso, intérprete do Agostinho da 'Grande Família', virou um dos assuntos mais comentados do Twitter neste domingo (15), por conta de um trecho da entrevista que ele deu ao ator Lázaro Ramos no programa 'Espelho', do Canal Brasil. Em um bate-papo sobre privilégios e racismo no Brasil, o ator ganhou a admiração do público ao contar sua experiência de vida e demonstrar sua visão sobre os temas. 
"Vou falar desse assunto na maior humildade, porque eu não tenho nenhuma esperança de que a minha origem não me envenene. Eu sou um menino branco, que nasci na classe média alta do Rio de Janeiro, e na minha casa tinham cinco empregados, todos eram negros. Eu nunca tive um empregado branco. O que eu conheço da cultura africana, eu conheci pelas minhas empregadas me contando histórias. O que eu conheço da pobreza, também é do que as minhas empregadas me contavam. Lembro de ter ido passar um dia na casa de uma empregada e lembro de ter pedido pra ir ao banheiro, ela ter me levar no banheiro e era só um balde. Então, quando você me pergunta se tem uma tenção racial no Brasil, no mínimo tem essa que eu to descrevendo", afirma o ator.
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Em seguida, Pedro Cardoso deu sua opinião sobre o racismo no e afirmou entender que a escravidão ainda se faz presente no país. "Eu acho mesmo que nós estamos vivendo, ainda, a escravidão. Que a escravidão teve um final burocrático e que esse final burocrático criou na sensação da nação uma ilusão de que as questões produzidas pela escravidão estão resolvidas. O pior pro Brasil é fingirmos que esse assunto não existe, que está tudo bem. Fingirmos que os bandidos que são presos não são a maioria, ou pretos, ou mulatos, ou mulatos claros. Essa hipocrisia acho péssimo", conclui.
O artista também critica a elite brasileira por não aceitar que ainda há sim um enorme preconceito cultural e racial entre os brasileiros. "Mas o drama maior, pra mim, é a questão cultural. Aceitemos a influência da cultura que se originou na África e que veio pro Brasil, que nem era Brasil ainda, que se encontrou com uma cultura indígena que estava aqui, e que isso tudo dominado pela cultura européia que produziu esse encontro, isso tudo é o que nós 'semos'. E negar que nós 'semos' isso é o que nós temos feito sistematicamente. No Brasil, isso que nós chamamos, portanto, de elite brasileira, nega. Você sempre age atendendo a um interesse seu, mas se você é honesto, você correlaciona o teu interesse com o interesse maior da coletividade na qual você está inserido. É hora da elite brasileira ceder." 
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