Após filiação de filho de Garotinho, Indio da Costa renuncia presidência do PSD no Rio

Ex-deputado federal anuncio decisão no Facebook. Ele já vinha disputando poder dentro da legenda de Gilberto Kassab com o deputado federal Hugo Leal

Por CÁSSIO BRUNO

O ex-deputado federal Indio da Costa deixa o PSD
O ex-deputado federal Indio da Costa deixa o PSD -

O ex-deputado federal Indio da Costa anunciou na manhã desta quarta-feira que deixará a presidência do PSD, no Rio. Candidato derrotado para prefeito, em 2016, e para governador, em 2018, Indio brigava com o deputado federal Hugo Legal pelo comando do partido desde o fim das últimas eleições.

As principais decisões do partido no Rio, fundado por Gilberto Kassab, investigado na Operação Lava Jato, estavam sendo negociadas por Hugo Legal, que foi candidato a vice-prefeito na chapa de Indio. Uma delas foi filiar na legenda o deputado federal Wladimir Garotinho, filho dos ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Matheus. 

"Renunciei e me desfiliei do partido porque não compactuo com a filiação do deputado federal, filho do ex-governador Garotinho, no PSD", escreveu Indio, que também publicou a carta de desfiliação.

Em 2016 e 2018, no entanto, Indio buscou apoio da família Garotinho. Mas não houve acordo.  

Para entrar no PSD, Wladimir negociou com Hugo Legal, com o governador Wilson Witzel (PSC) e com o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, como revelou o deputado em entrevista à Coluna na última segunda-feira. Inicialmente, Wladimir iria para o PSC, mas desistiu. Ele pretende ser candidato a prefeito de Campos, em 2020. 

Em nota, Wladimir Garotinho afirmou:

“Acho estranho uma pessoa delatada por recebimento de 2,5 milhões de dólares em propina, para blindar alguém numa CPI, dizer que quer estar conectado às ruas. Além do mais, ele buscou apoio da família Garotinho nas eleições de 2016 e 2018. Acho que ele queria uma desculpa pra sair. De todo modo, lhe desejo sorte."

Wladimir refere-se às declarações do empresário Mariano Ferraz publicadas pelo portal UOL no último dia 8. Segundo Ferraz, Indio teria recebido dinheiro para protegê-lo na CPI da Petrobras de 2014.

Ferraz foi condenado a dez anos de prisão pelo então juiz Sérgio Moro e denunciado novamente pela Operação Lava Jato. Ele é ex-executivo do grupo Trafigura, multinacional de comércio de petróleo. O empresário tentou fazer delação premiada, mas não conseguiu. 

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