A estratégia do Psol para eleger Marcelo Freixo prefeito do Rio antes de 2020

Bancada do partido na Câmara do Rio votou contra emenda que possibilitaria votação indireta para escolher novo prefeito em caso de impeachment de Marcelo Crivella (PRB)

Por CÁSSIO BRUNO

O deputado federal Marcelo Freixo, do Psol
O deputado federal Marcelo Freixo, do Psol -

A estratégia do Psol em votar contra a emenda que possibilitaria a eleição indireta para escolher o novo prefeito em caso de impeachment de Marcelo Crivella (PRB) foi a seguinte: abrir caminho para tentar eleger o deputado federal Marcelo Freixo o sucessor do bispo licenciado da Igreja Universal pelo voto dos cariocas. Antes de 2020, claro. O próprio parlamentar já declarou que será candidato.

Foi Marcelo Freixo, aliás, quem orientou a bancada do Psol na decisão que deu a Crivella uma sobrevida na prefeitura. Os aliados do deputado, inclusive, já estavam preparados para apoiar a alteração na Lei Orgânica, mas foram obrigados a recuar.

O discurso

Publicamente, no entanto, vereadores do Psol utilizaram expressões como "casuísmo" e "golpe" à imprensa para justificar a mudança de rumo do partido no episódio.

Segue...

Nos bastidores, porém, aliados de Freixo na Câmara ficaram surpresos.

Azedou de vez

Vereadores perderam mesmo a confiança em Crivella. Argumentam que ajudaram o prefeito a aprovar aumento de impostos. Em troca, tiveram seus indicados exonerados dos cargos do município.

Segundo semestre

Se contarmos a partir da aceitação do processo de impeachment de Crivella pelo presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB), na terça-feira, e os prazos burocráticos, a votação de cassação deverá ocorrer lá para agosto.

Deu treta

Tânia Bastos (PRB) convocou ontem reunião com vereadores que votaram contra a emenda na sala da vice-presidência. Rosa Fernandes (MDB) quis entrar. Foi barrada e teve barraco. Com gritaria.

A madrinha

Além de advogado de Orlando de Curicica, Pablo Andrade, que protocolou o pedido de impeachment, é afilhado político de Rosa Fernandes.

Bem pago

Nem todo salário alto na Cedae incomoda o governador Wilson Witzel (PSC) e o presidente da empresa, Helio Cabral. Veja só o exemplo: um assessor financeiro da companhia recebe pelo cargo cerca de R$ 18 mil.

Só que...

O tal assessor também é do conselho de administração e recebe mais R$ 6 mil. A Cedae ainda repassa algo em torno de R$ 50 mil a um banco do qual ele é funcionário de carreira. Total de R$ 73 mil.

A justificativa

O argumento de Witzel e Cabral para a recente demissão em massa na Cedae é justamente os salários estratosféricos.

 

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