"A Alerj é o órgão do Brasil que mais está devolvendo dinheiro"

Por Alexandre Braz

Rio de Janeiro - Seminário
Rio de Janeiro - Seminário "Os Desafios do Ensino Médio", na Fundação Getúlio Vargas (FGV), discute a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a reforma do ensino médio proposta pelo governo federal. Na foto: Wagner Victer, secretário estadual de Educação do Rio ( Tânia Rêgo/Agência Brasil) -

"A principal característica de um bom gestor é a paixão". Esse é um dos principais lemas do atual diretor geral da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Wagner Victer, que completa um ano no cargo, no próximo mês. Com grande experiência na gestão de empresas públicas do estado - Victer presidiu a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) por oito anos no governo Cabral e foi titular, de 2016 a 2018, da pasta Educação, na gestão Pezão - ele destacou a economia de recursos pela Alerj em 2019. "A Alerj está devolvendo aos cofres do tesouro, se já não passou, algo na ordem de R$ 420 milhões economizados do orçamento que teria direito de gastar. É o órgão no Brasil em números absolutos e relativos que mais está devolvendo dinheiro", disse o diretor. A seguir alguns trechos da entrevista:

ODIA: Como foi esse primeiro ano como diretor da Alerj?

Wagner Victer: A mesa diretora está fazendo mudanças importantes. Tem que ser firme, gradual, porém, sem rompantes. Navio não dá cavalo de pau. Esse é um detalhe interessante. A mudança tem de ser progressiva. Temos ajudado a mesa diretora. Entro basicamente como um executor de políticas definidas pela mesa diretora.

Quanto a Alerj economizou e poderá devolver ao estado?

Darei exemplos objetivos. A Alerj está devolvendo aos cofres do tesouro, se já não passou, algo na ordem de R$ 420 milhões (a expectativa da Casa era devolver R$ 400 milhões) economizados do orçamento que teria direito de gastar. É o órgão no Brasil em números absolutos e relativos que mais está devolvendo dinheiro. É uma marca interessantíssima em um momento de crise. Os nossos gastos em pessoal ficaram na ordem de 19% abaixo dos limites estabelecidos pela recuperação fiscal. É um número recorde em devolução. Geralmente no Brasil os órgãos que recebem esses recursos trabalham para gastar aquilo que recebem ou devolvem muito pouco.

E a nova sede da Alerj?

Essa é outra mudança importante. Estamos finalizando a nova sede (a obra está pronta, e os móveis estão sendo montados). A estimativa é que fique pronta agora no primeiro semestre de 2020. Será um novo marco, no antigo prédio Banerjão. Teremos uma redução de energia elétrica em 30%, diminuindo a emissão de gases em 60%. Em todas as nossas ações, estamos tendo redução de custos, o que é um exemplo importante.

Como será feita a mudança da sede atual para a nova?

Nós vamos fazer mudanças progressivas. Quatro prédios vamos mudar para lá. Além de economizar, outro fator importante é a integração, o que é fantástico. E vai melhorar a qualidade da gestão legislativa. Hoje nós temos duas salas de comissões, onde acontecem as audiências públicas, reuniões ordinárias com a população. Vamos pular de duas salas para cinco, aumento de 150%.

Que projeto interessante o senhor destaca para a nova sede?

Nós vamos ter uma universidade corporativa dentro da Alerj. Temos uma escola legislativa e queremos ampliá-la. Vamos atender mais as câmaras municipais, dando cursos de técnica legislativa, cursos de preparação de orçamento, gestão de contratos públicos, etc.

A preocupação com o meio ambiente é algo importante na nova sede?

Sim. Tem um reaproveitamento de água de chuva. Teremos uma estação de tratamento de água em cinzas. A água de lavatório é retratada para usar em ar-condicionado, o central é o que mais gasta. E água do subterrâneo, do lençol freático que tem embaixo. São basicamente esses três pontos de uso d'água. Estamos usando todas as janelas antigas, que são de fabricação alemã, para utilização de luz solar. Além da coleta seletiva de lixo.

Que análise o senhor faz dos anos que passou na Cedae e na Secretaria de Educação?

Eu gosto de fazer as coisas funcionarem. Na Cedae, deixei lucro em todos os oito anos que participei. A Cedae nunca tinha dado lucro. Quando comecei dava prejuízo. Na educação, eu deixei R$ 200 milhões em caixa para a futura gestão usar. Deixei todas as 1.200 escolas reformadas. Deixei o salário de janeiro já pago em dezembro. E ainda deixei o dinheiro da merenda depositado nas contas da escolas para o início do próximo mandato, os primeiros meses. Isso ninguém fez e ninguém fará.

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