Jair Bittencourt é o único deputado estadual do Noroeste FluminenseReproducao Facebook
Por Alexandre Braz
Publicado 29/01/2020 00:00 | Atualizado 29/01/2020 14:37

De 2016 até o fim de 2019, o Brasil aumentou os sistemas de energia solar instalados de 8,7 mil usuários para mais de 111 mil. Segundo estudos, 75% deles são instalações residenciais. Único representante do Noroeste Fluminense na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual Jair Bittencourt, de 49 anos, tem planos ambiciosos para expandir o sistema no estado. O parlamentar do Progressistas destaca que a importância dos bancos públicos financiarem e subsidiarem os projetos. "Com uma nova visão vamos ter um incentivo a implantação da energia solar e outras fontes de energia limpa. O sistema já está no Brasil e no mundo todo. O Rio tem que aprimorar a sua legislação. É preciso incentivar", afirma Jair. Confira abaixo outros trechos da entrevista.

ODIA: Por que o Brasil investe pouco na energia limpa, como a solar?
JAIR BITTENCOURT: A questão do Brasil ainda investir pouco nesse sistema é que ele é novo, apesar de estar muito difundido na Europa, nos Estados Unidos e em algumas áreas da Oceania. Estamos atrasados, mas houve uma aceleração nesse procedimento nos últimos cinco anos. Tenho certeza que com uma nova visão do governo federal e do governo do Rio nós vamos ter um incentivo à implantação da energia solar e outras fontes de energia limpa no país.

E é um sistema que pode atender tanto a família quanto às empresas, por exemplo?
Sim. Projetos de energia solar são muito simples porque elas podem ser grandes usinas que vão atender uma demanda maior, como pode ser individual, para atender uma única residência. Então isso já está pulverizado no Brasil e no mundo todo. O Rio tem que aprimorar a sua legislação, precisa incentivar e não cobrar ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre essa energia, incentivar as empresas que instalam essas placas, que desenvolvem esses sistemas, tanto os grandes quanto as pequenas. Isso é o mais importante. Estamos nos aprofundando no tema, precisa financiar via bancos públicos. Financiar com juro quase que zero, subsidiado mesmo, porque é uma energia limpa, nova, requer um investimento muito menor inicialmente que uma grande hidrelétrica ou termelétrica, que prejudicam muito a questão do meio ambiente. Isso é um ponto relevante. É preciso financiar e subsidiar a energia limpa.

Mas o senhor tem um projeto para financiamento no setor?
Nós vamos entrar agora com uma legislação aprimorando o ICMS, imposto zero. Vamos fazer um pedido na Comissão de Minas e Energia, em Brasília, para que o governo dê como prioridade pelo BNDES o financiamento para todas as pessoas que queiram. O país financia vários segmentos, com juros de 1, 2, 3%. Então é preciso olhar para esse segmento. Se governo financiar isso, o juro será muito mais baixo. O Rio tem bom potencial para a energia eólica também, depende do vento, então claro que nós temos no Rio, mas não é o nosso forte. A energia eólica está muito difundida no Nordeste e principalmente em áreas de muita circulação de vento.

Qual o forte da economia da Região Noroeste do Rio de Janeiro?
A região, principalmente Itaperuna (cidade do deputado), além de ter uma base econômica rural, hoje também é de serviços e comércio. Existe uma industrialização na área do agronegócio, como a do. Temos uma grande produção de charque (produto de carne seca e salgada). Temos ainda pequenas indústrias de fábricas de ração de alimento bovino e suíno. A região é muito forte também na educação. Itaperuna tem duas faculdades de medicina, todos os cursos de direito, veterinária, odontologia, área de saúde toda, enfim. A nossa base original, antiga, é a agricultura, mas hoje a prestação de serviço na área da saúde e da educação vem fazendo com que a região, incluindo Itaperuna, tenha um dos melhores índices de desenvolvimento do estado, sendo uma ilha de prosperidade dentro da situação difícil que passa o estado do Rio.

É possível fazer a indústria crescer nessa região?
A indústria vem pelo interesse do empresário. O que nós podemos fazer é criar as condições. Como ter o fornecimento de energia adequado, estradas em boas condições, condição de escoamento da produção, infraestrutura de logística. Isso o governo do estado e o governo federal podem ajudar. A dificuldade que nós enfrentamos na região é que nós não estamos no eixo dos grandes consumidores, como São Paulo e Belo Horizonte. Aqui não seria o eixo adequado. Tirando isso, temos todas as condições e as indústrias têm vindo naturalmente, como outros segmentos de serviços.

Itaperuna e região foram muito afetadas pelas chuvas dos últimos dias. Como está a situação nesse momento?
Passamos por uma das maiores chuvas e enchentes dos últimos dez anos. Nove municípios da região foram afetados, principalmente Cardoso Moreira, Italva, Porciúncula e Itaperuna. Mas já está melhore começamos a limpeza da cidade (de Itaperuna). O governador Wilson Witzel (PSC) esteve aqui tomando as atitudes necessárias. Nós ajudamos os prefeitos e vereadores da região. E também outros vários representantes do governo estiveram aqui. O governador disponibilizou de imediato cerca de R$ 10 milhões pela Defesa Civil e outros R$ 10 milhões pelas Assistência Social, além de donativos que estão sendo distribuídos. E muitas pessoas estão ajudando. A situação está melhor.

O senhor é o único deputado estadual do Noroeste Fluminense. Qual fator atribui essa pouca representatividade?
Moro e sou eleito por essa região, mas outros deputados do Norte do estado que também têm uma votação expressiva aqui no Noroeste e até alguns deputados da capital, por investirem um trabalho político na região. Mas quem luta efetivamente pelo desenvolvimento do local sou eu e pelo menos mais deputados, que são de Campos. É importante que se tenhamos outros. Nós não temos nenhum deputado federal daqui e se tivesse mais um estadual acrescentaria muito, porque sempre temos de trabalhar me conjunto. Eu me alio muito aos deputados de Campos, de Macaé, do interior e até alguns deputados da capital, que nos ajudam a trazer os investimentos para nossa região, como nós ajudamos a levar para a deles. O importante disso tudo é ter pessoas dispostas a lutar pelo desenvolvimento do interior, aí não é só o Noroeste Fluminense, há um equívoco das pessoas acharem ainda que as pessoas estão saindo do interior para morar na capital atrás de emprego. Esse ciclo já se reverteu há muito tempo, são as pessoas da capital que estão procurando o interior pela qualidade de vida, tranquilidade, prosperidade, uma vida realmente mais tranquila.

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