Publicado 28/12/2020 05:00
O Rio de Janeiro vive uma encruzilhada. Uma crise política que conduziu dois governadores e um prefeito no curso do mandato para tratar da vida na polícia. O aumento da pobreza, as finanças em frangalhos, a falta de protagonismo nacional. É a hora de ouvir os intelectuais, os centros de pesquisa e pensamento. A elite acadêmica do Rio perdeu protagonismo na tentativa de dar soluções para grandes problemas? O cientista social João Feres, professor de Ciência Política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), da UERJ, é direto: "Acho que a elite acadêmica brasileira foi banida da grande mídia há muito tempo. Não é só no Rio. Agora com Bolsonaro, estão abrindo algum espaço, mas ainda diminuto. Como a elite acadêmica é massivamente de centro-esquerda, por uma questão lógica, o objetivo da grande mídia era ejetá-la do poder, fecharam-se praticamente todos os espaços. A mídia só ouve gente de instituições 'market oriented': FGV, Ibmec, Insper. Sem a mídia, não há debate público. A academia não consegue se comunicar com a sociedade sem mediação. Ao contrário do que muitos de fora da academia pensam, a maioria dos cientistas sociais é liberal progressista e não socialista. A questão é que quem estuda a sociedade brasileira acaba chegando à conclusão inevitável de que a desigualdade é sua pior chaga e que, portanto, se não a atacarmos, as outras questões perdem um pouco o sentido".
PESQUISAS ELEITORAIS
O experiente professor Paulo Baía joga luz para outra realidade. "Nas campanhas eleitorais, as universidades eram muito ouvidas para a elaboração dos programas de governo. Nessa última eleição de 2020, nenhuma candidatura ouviu para valer os centros de pesquisa da cidade do Rio de Janeiro. Niterói, Campos, Caxias ouviram um pouco, mas têm pouca referência dos estudos desses centros", diz ele.
PESQUISAS ELEITORAIS
O experiente professor Paulo Baía joga luz para outra realidade. "Nas campanhas eleitorais, as universidades eram muito ouvidas para a elaboração dos programas de governo. Nessa última eleição de 2020, nenhuma candidatura ouviu para valer os centros de pesquisa da cidade do Rio de Janeiro. Niterói, Campos, Caxias ouviram um pouco, mas têm pouca referência dos estudos desses centros", diz ele.
Denúncia do Ministério Público Eleitoral
Doação de sangue
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