A retomada das obras do mercado imobiliário também ajudou a diminuir as perdas na indústria do cimento - Freepik
A retomada das obras do mercado imobiliário também ajudou a diminuir as perdas na indústria do cimentoFreepik
Por Cristiane Campos
As reformas residenciais e comerciais, além da continuidade das obras do mercado imobiliário continuam sendo responsáveis por bons resultados de vendas de cimento no país. De acordo com balanço do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), esses vetores de consumo respondem por aproximadamente 80% da demanda e colaboraram com as vendas do cimento no mercado interno, que atingiram em julho 5,9 milhões de toneladas, alta de 18,9 % em relação ao mesmo mês de 2019.

No acumulado de janeiro a julho, os números também foram positivos, chegando a 32,9 milhões de toneladas, aumento de 6,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. Na análise de venda de cimento por dia útil em julho (235,6 mil toneladas), o estudo do SNIC mostra que a curva também é crescente de 2,4% sobre junho deste ano e de 18,6 % em relação ao mesmo mês de 2019.

Vale lembrar que o primeiro trimestre teve uma queda na procura pelo produto por causa das fortes chuvas de janeiro e fevereiro. Depois vieram o isolamento social e as restrições de circulação em março. Mesmo assim, foi no segundo trimestre que o setor começou a notar a retomada do consumo. O mês de abril, ainda que negativo, teve resultado melhor do que o projetado e um surpreendente crescimento a partir de maio e junho impulsionando os resultados do primeiro semestre.

No caso das reformas, o fato de muitos lares se transformarem em local de trabalho e de lazer na pandemia, somado ao aumento da permanência das pessoas nesses espaços, despertou a vontade de realizar pequenas melhorias em casa. Outro cenário estimulado pela pandemia diz respeito aos micro e pequenos empresários que aproveitaram a pausa forçada para executar reformas e manutenções.

Já com relação ao mercado imobiliário, a retomada das obras dos empreendimentos imobiliários segue a todo vapor. A pesquisa indica que apenas 2,9% das obras permanecem paralisadas e cerca de 63 mil trabalhadores estão ativos nos canteiros de obras de todo país. Para Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC, apesar da preocupação com as incertezas que cercam o mercado imobiliário no segundo semestre, o desempenho do setor até agora se mostra positivo. “Seguimos em uma trajetória ascendente que se iniciou em 2019 depois de quatro anos de queda, uma capacidade ociosa acima dos 45% e fechamento de 20 fábricas e dezenas de fornos acarretando numa brutal queima de capital. Esta recuperação ainda é pouco perto do prejuízo acumulado, mas já enxergamos um novo momento para a indústria do cimento no país”, avalia Penna.