A região Sudeste teve variação negativa de 68,3% no segundo trimestre - Freepik
A região Sudeste teve variação negativa de 68,3% no segundo trimestreFreepik
Por Cristiane Campos
As vendas de imóveis residenciais novos no país no segundo trimestre tiveram queda de 16,6% em comparação com o trimestre anterior. Já na comparação entre o primeiro semestre com o mesmo período de 2019, as vendas caíram apenas 2,2%. Os números foram divulgados hoje e fazem parte do estudo Indicadores Imobiliários Nacionais do 2º trimestre de 2020, realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional). Para o presidente da CBIC, José Carlos Rodrigues Martins, a estabilidade no índice de vendas em plena pandemia é um dado bastante relevante e que comprova a força do setor. "Todo esforço que foi feito para a manutenção dos canteiros de obras funcionou. Tivemos uma queda de 2,2% nas vendas, o que é uma estabilidade total e demonstra como lidamos bem com a crise nesse período", lembra Martins.

Ainda de acordo com o estudo, houve grande diminuição no número de lançamentos no primeiro semestre, 43,9%, na comparação com o mesmo período de 2019. De acordo com a análise, o resultado é reflexo dos adiamentos em função da pandemia. Martins também prevê um boom de lançamentos no segundo semestre, o que é importante para a retomada econômica do país. "Nós represamos os lançamentos no 1º semestre, o que indica que no segundo os números devem crescer consideravelmente. A alta de lançamentos é importante porque representa emprego futuro. O Caged de julho já demonstrou isso ao contratarmos mais que o dobro de mão de obra que o mesmo mês do ano passado. Estamos otimistas e com os pés no chão. Sabemos das dificuldades, mas somos conscientes da nossa responsabilidade de ajudar o Brasil a sair dessa crise", analisa o presidente.
Minha Casa, Minha Vida
Empreendimento da Novolar, em Santa Cruz, tem unidades a partir de R$ 141 mil
Empreendimento da Novolar, em Santa Cruz, tem unidades a partir de R$ 141 milDivulgação
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O estudo também levou em consideração o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que continua marcando o seu lugar de forma positiva na pandemia. A representatividade do MCMV sobre o total de lançamentos no período foi de 55,6%. Sobre o total de vendas, essa participação foi de 56%.

O vice-presidente de Indústria Imobiliária da CBIC, Celso Petrucci, reforçou o papel do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o MCMV. "A CBIC vem promovendo o aculturamento no Congresso da importância do fundo para a geração de empregos, tributos e melhoria de vida para famílias. Conseguimos, via FGTS, colocar 500 mil operações no bolso de pessoas de baixa renda para acessar a primeira moradia. Por isso é tão importante o aprimoramento do MCMV pelo programa Casa Verde e Amarela, que será lançado amanhã", explica Petrucci.

A Novolar, empresa do Grupo Patrimar, por exemplo, acaba de lançar o empreendimento Villaggio Florença, em Santa Cruz, pelo programa do governo. Os apartamentos são voltados para as faixas 1,5 e 2, sendo possível que uma família com renda a partir de R$ 1.600 compre uma das unidades. Os valores dos imóveis são a partir de R$ 141 mil. "O Villaggio Florença é uma oportunidade de sair do aluguel e conquistar o apartamento dos sonhos. A parcela do financiamento ficará menor que o valor de aluguel", afirma Lucas Couto, diretor Comercial e Marketing do Grupo Patrimar.
Vendas online
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Na avaliação das empresas, no segundo trimestre as vendas online supriram o fechamento dos pontos de venda. De abril a junho, mesmo com parte dos estandes fechados em praticamente todo o país em função da pandemia, as vendas foram mantidas. Em 32,5% dos locais pesquisados, foi observado aumento nas vendas.

Para Fábio Tadeu Araújo, sócio da Brain Inteligência Corporativa, que produziu a pesquisa, a digitalização do mercado imobiliário foi fundamental para que as vendas não desabassem no segundo trimestre.
Intenção de compra
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A intenção de compra da casa própria dos brasileiros já se aproxima do percentual antes da pandemia em março, quando 43% das famílias tinham esse desejo. Em agosto, o percentual é de 40%, sendo que 13% já estão visitando plantões de imóveis. "Ou seja, já estamos quase no mesmo patamar pré-pandemia", ressalta Araújo.