Prefeito Ramon Gidalte enviou a Mensagem nº 062/2026 do PL do cartão Reprodução
O valor, entretanto, chama atenção pela dimensão limitada: R$ 25 por mês representam pouco mais de R$ 0,80 por dia. Ainda assim, a proposta não chegou a ser votada na sessão em que estava prevista para entrar em plenário, no dia 23 de setembro, segundo informações divulgadas sobre o episódio. A falta de quórum impediu a apreciação da matéria.
O problema ganhou dimensão política porque, desde então, a Câmara teria acumulado três sessões consecutivas sem realização por falta de quórum. A situação abriu espaço para questionamentos sobre a articulação política do governo municipal e sobre o futuro do próprio projeto.
A leitura feita nos bastidores é de que a falta de quórum pode ter contribuído para postergar a análise da proposta e permitir ao Executivo reavaliar a matéria antes de uma eventual votação. Essa interpretação, contudo, não foi apresentada publicamente como uma confirmação formal de que vereadores tenham sido orientados a faltar às sessões.
O episódio coloca em evidência uma contradição: de um lado, um governo que apresenta um programa destinado a movimentar a agricultura familiar e beneficiar servidores; de outro, uma proposta de impacto financeiro aparentemente pequeno que sequer conseguiu avançar para votação.
FEIRA SEGUE SEM ESTRUTURA PRÓPRIA
O debate sobre o Cartão-Feira também chama atenção para uma questão mais ampla: as condições oferecidas aos próprios agricultores familiares de Casimiro de Abreu.
A Feira Livre da Agricultura Familiar ocorre às sextas-feiras pela manhã, na Praça Feliciano Sodré. O município não dispõe de um Mercado Municipal estruturado para concentrar a comercialização dos produtos e oferecer aos produtores uma estrutura permanente, coberta e adequada para a atividade.
Nesse cenário, um benefício de R$ 25 mensais poderia representar, ainda que modestamente, uma injeção adicional de recursos diretamente nas bancas dos produtores locais. A proposta criaria uma espécie de circuito entre servidores públicos, consumidores e agricultores familiares, fazendo com que o dinheiro do benefício retornasse à economia local.
Mas, até o momento, a iniciativa permanece no campo das intenções.
O caso também expõe uma discussão maior sobre política pública para a agricultura familiar. Incentivar produtores locais não depende apenas de criar um cartão de consumo. Envolve estrutura física, logística, divulgação, assistência técnica, acesso ao mercado e políticas permanentes capazes de garantir condições para que pequenos produtores aumentem sua produção e tenham canais estáveis de comercialização.
Enquanto o Cartão-Feira aguarda uma definição, permanece a dúvida sobre se o projeto voltará ao plenário, será modificado ou retirado pelo Executivo.
Para a oposição e setores críticos ao governo, o episódio representa mais uma promessa que encontrou dificuldades para sair do papel. Para a Prefeitura, a discussão ainda pode ser reorganizada antes de uma eventual nova tentativa de votação.
No meio desse impasse estão servidores, agricultores familiares e consumidores, que aguardam uma definição sobre uma proposta que, apesar do valor modesto, ganhou peso desproporcional na disputa política de Casimiro de Abreu.
A Prefeitura e a Câmara ainda podem esclarecer publicamente as razões para a retirada ou não votação da matéria e informar se existe previsão para que o Cartão-Feira volte à pauta. Até lá, os R$ 25 continuam sendo apenas uma promessa — e a agricultura familiar segue esperando por políticas que ultrapassem o discurso.



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